Abriu o novo parlamento Português e assiste-se desde já ao início de uma luta pelo poder entre aqueles que salivam por estarem prestes a alcançá-lo, e que só não se diz luta fratricida, porque estes senhores são apenas vizinhos, e dos maus, e não família.

O governo que esta semana nos governa, e que se sabe a prazo, não fosse a emergência de Albufeira, nada mais faria do que assistir Olimpicamente ao início da previsível chacina de faca nos dentes entre as facções de esquerda.

Sintomático é que estas nem sequer conseguem conciliar-se numa moção de rejeição única. Querem 3, uma para cada paladar, porque se sabem diferentes entre si.

PCP, BE e PS, fingindo-se aliados, serão, inevitavelmente, concorrentes, e disputarão entre si, à nossa custa, o protagonismo. Será vê-los a querer mostrar-se os expoentes do radicalismo, sem nada nem ninguém que os limite ou coíba.

Quando um disser mata, esfola gritará o outro, queime-se o cadáver, urrará o terceiro, sentindo-se vencedor aquele que praticar com maiores requintes de crueldade.

É bom, neste ponto, revisitar Maquiavel, e o seu “Príncipe” que na actualidade se transfigura no Governo que há-de vir e na forma como alcança o Poder. Aprendamos.

Começando logo pelo chavão dos “Fins que justificam os meios”, apesar desta expressão não se encontrar nas páginas do seu livro, sendo que outras e mais exemplares lições aí encontramos para reflectir:

“Quando os Grandes se ligam ao Príncipe por artifício e por motivos de ambição, é sinal de que pensam mais em si mesmos do que no Príncipe. E desses se deve o Príncipe guardar e temer, como se se tratasse de inimigos declarados, porque sempre, na adversidade, ajudarão à sua ruína. Deverá aquele que se torne Príncipe, mediante o favor do povo, conservá-lo seu amigo; o que lhe será fácil, desde que o povo nada lhe pede senão que o não oprimam. Mas aquele que, contra o povo, venha a ser príncipe, pelo favor dos grandes, deverá tentar ganhar o povo, acautelando-se dos grandes que o puseram Príncipe”

E diz ainda: “Um Príncipe deve mostrar-se amador das virtudes, e honrar os que primam numa arte. Deve animar os seus cidadãos a dedicarem-se paulatinamente às suas actividades, ao comércio, à agricultura, e a todos os outros labores humanos; e que um não tema embelezar as suas propriedades com receio de que lhe sejam tiradas, e que outro não tema abrir um comércio por medo dos impostos; mas, ao contrário, deve estabelecer prémios para os que queiram fazer essa coisas e para todo o que pense ampliar de qualquer modo a sua cidade e o seu Estado. Deve, além disso, nas fases convenientes do ano, manter os povos com festas e espectáculos”.

E é esta a minha certeza. De Maquiavel os nossos futuros novos governantes tirarão a lição de haver muita festa e espectáculo. Um circo Romano, com gladiadores e a tradicional saudação: “Nós que nos vamos matar, vos saudamos”.