Faustino Sousa – Texto

As três casas dos Brasileiros que marcaram a Vila de Baltar, quer economicamente quer socialmente no final do século XIX e início do século XX está associada à história da família Pereira que foi alvo de estudo do Engenheiro José Manuel Cunha, neto de José Vicente da Silva que foi alguém proeminente na história da Vila de Baltar.  José Manuel Cunha tem um “blog” onde se dedica ao estudo da história local e aqui se reproduz  os resultados da sua investigação:

“As origens da família Pereira serão mais ancestrais e provenientes da própria freguesia de Baltar, como de outras do próprio concelho, de Mouriz, de Vila Cova de Carros, da Sobreira e de Astromil e ainda do concelho vizinho de Valongo, das terras de Sobrado e S. Martinho de Campo, freguesias vizinhas também de características essencialmente rurais, e que por laços de casamento se terão instalado neste antigo lugar, da “Pereira”, actualmente absorvido pelo lugar da Gralheira.

As suas raízes rurais e o elevado número de filhos tidos pelo casal Manoel e Thomázia, fizeram deste par o despoletar de uma geração de emigrantes, de homens de negócios e de casamentos com outras famílias de importância local, subindo degraus na hierarquia social da terra.

De ambos, pouco se conhece as suas origens, a sua vida diária e seus caracteres, mas pela aparência da foto tudo aponta que Manoel, por ter sido lavrador, terá levado uma vida desgastada levada pela agricultura, através do trabalho diário para subsistência familiar.

Seus Pais e Avós, originários de Baltar, mais precisamente do lugar de Fagilde, área central da vila, sendo que os seus antepassados da 3ª e restantes gerações já tiveram a sua origem pelas terras vizinhas, Mouriz, Sobreira. Astromil, Sobrado e S. Martinho de Campo, e de outras das redondezas que o tempo não consegue vislumbrar.

Do seu casamento, previsivelmente no ano de 1831, nasceram 14 filhos, tendo falecido cinco filhos, sendo a 5ª e última filha, no ano de 1855, sendo que de todos os restantes 9 filhos, rapazes, alguns terão emigrado para o Brasil em tenra idade, como era usual naqueles tempos.

Os que foram partiram moços com 13 ou mais idade, ainda jovens, sujeitos à isenção do exercicio obrigatório da tropa e em busca do sonho e da esperança de enriquecimento, num país que à época se considerava o Eldorado, localizado no outro lado do Altântico – o Brasil.

Desta família resultou que três filhos, Firmino, Belmiro e Victorino, tendo enriquecido no Brasil regressaram ainda jovens adultos com as posses necessárias para serem proprietários das 3 casas brasileiras, em Baltar.

Destas 3 casas, apenas uma resiste encontrando-se em bom estado, pertenceu a Victorino Coelho Pereira, que a comprou a seu irmão Lino que a terá mandado edificar.

A que se encontra em frente a esta, actualmente abandonada foi escola secundária e foi entregue recentemente pela autarquia à Santa Casa da Misericórdia de Paredes, com a finalidade da construção de um Lar de Idosos, tendo pertencido a Belmiro Coelho Pereira. A terceira casa, pertenceu a Firmino Coelho Pereira e foi no final da década passada demolida na reconstrução de uma moradia unifamiliar.