A expressão “O POVO É QUEM MAIS ORDENA” é tida como o sumo significante do potencial democrático da nossa sociedade atual, pretensamente querendo dizer que Todos temos o Direito de escolher.

Mas escolher o quê? Escolher entre quem? E poderemos ser escolhidos?

Porventura escolhemos as nossas escolhas?

Lembro-me de na Faculdade na única vez que me meti em listas de estudantes ter tido uma proposta subversiva: Os cabeças de lista seriam escolhidos por sorteio de entre todos os participantes. Mas todos aqueles que visavam, por posicionamento estratégico e carreiristico, ocupar tais lugares cimeiros, não aceitaram.

Sendo menos enigmático: quando somos chamados a escolher, as opções que temos à nossa frente são aquelas que desejamos ou são imposições em que a opção de não escolha (a abstenção) parece que é a que mais nos satisfaria?

O Povo não ordena; O Povo não escolhe.

Ao Povo são impingidas certas possibilidades, muito limitadas, de escolha, vindas de um núcleo muito restrito, muito cacicado e em que a Demofilia (para já não dizer a Democracia) pouco importa.

E a lógica da escolha maioritária, para o Bem de todos, esvai-se neste pespegar de candidatos, neste pulular de auto-promoções, neste marcar posição através do método de se levantar mais cedo que os outros e assim mais depressa ser visto, e, tapando os outros, retirando-lhes a iniciativa, ocupa-se todo esse espaço.

É a lógica do empurrão para caber no elevador (…)

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