Paredes é um estranho caso de insucesso, que necessitava de ser estudado a nível sociológico, antropológico e até filosófico.

Se somos capazes episodicamente de fazer grandes coisas, a verdade é que não se vê entre nós qualquer fenómeno que construído devagar e sustentadamente, de forma consolidada se torne uma realidade de excelência a nível nacional de forma a ocupar os lugares cimeiros e distintivos de forma permanente.

Poderá vir a ser a excepção o Pólo aquático. Oxalá, e possa dizer desta crónica que na melhor análise cai a nódoa.

Mas a verdade é que fora essa excepção, a regra é não termos organizações, coletividades, clubes, que façam jus à qualidade, capacidade e poder de empreender que um concelho como o de Paredes, face à sua situação geográfica, às suas acessibilidades, ao seu tamanho, à sua população, pareceria poder ter.

Se fosse de agricultura que falássemos, dir-se-ia que o tecido paredense se caracterizava pelo minifúndio, agravado pelo espírito obtuso da monocultura.

Veja-se no desporto: O Futebol tem a hegemonia desportiva; E ainda assim não temos sequer um clube nos campeonatos nacionais.

Será falta de infra-estruturas? Ou será falta de gentes? Ou será falta de líderes? Ou será falta de tudo?

Sente-se em Paredes a falta de uma estratégia global e envolvente, quer de pessoas quer de projectos, quer de localidades. Mas também se sente falta de motivação. E falta de captação de qualquer embrião de motivação. Falta de capacidade de envolvimento e de empreendedorismo sustentado.

Melhor se anda no bota abaixo!

Há muitas capelinhas e nenhuma Catedral.

Somos um concelho que não se pensa a si próprio. Um concelho pluricéfalo, com falta de capacidade encefálica para encher todas as cabeças que julgam pensar, que nem sequer tem a capacidade de mimetizar ou imitar realidades próximas com soluções válidas para os nossos problemas.

Sei de exemplos que poderia para aqui trazer para provar a minha tese! Mas é melhor não puxar por mim.

O resultado desta miséria é que, por um lado, os nossos melhores ativos, por cá não se conseguem desenvolver, e vão fortalecer projectos exteriores e, por outro lado, quando se organizam cá eventos que trazem pessoas de fora, nós, os indígenas Paredenses, nos alheamos completamente.

Sirva como exemplo, o campeonato nacional de matraquilhos, em que mesmo com inscrições gratuitas para as coletividades paredenses (mesmo não praticantes), apenas uma participou. O que mostra a pouca envolvência, birideccional, entre quem manda e quem é mandado.

Será incompetência de todos nós?

Que diria Camões sobre isto?

Que em Paredes, o fraco Rei faz fraca a forte gente, ou, pelo contrário, é a fraca gente que faz fraco o forte Rei?