Afinal estava a pólvora por descobrir. E a roda. E o polegar oponível. Enfim, a Humanidade poderá agora progredir porque chegaram os arautos da Nova Era, a gente com proto-importância que nos veio salvar do obscurantismo, leia-se Pafismo Trokiano.

Agora vamos ganhar mais: Descongela-se/aumenta-se os salários; reduzem-se os impostos; Contrata-se pessoas; atribuem-se subsídios.

Agora vamos trabalhar menos: Reduzem-se horários; Regressam os feriados; Extinguem-se exames; Corta-se exigências; Provas profissionais desnecessitam-se.

Tudo é mais fácil. O Presente é um presente perfeito. O futuro a Deus pertence.

Enfim, chegaram os senhores da verdade, cujo lema é apagar a torto e a direito (ou a esquerdo, se preferirem) tudo o que antes existia. Por ser Mau, como eles dizem, ou apenas por ser?

Mas será que os bichos papões do PAF estavam assim tão errados e eram uns acéfalos cujo único desígnio era malgovernar-nos?

A nós que, contentíssimos, nos alapamos à mesa deste bodo aos pobres, a empanturrar-nos de tanta fartura, o que nos está a escapar?

Aos tais senhores da verdade, os agora (para já)  donos disto tudo, narcisisticamente embriagados na prosápia da sua efémera importância, que ousam proclamar que tudo o que existia antes deles era uma total porcaria, para os ajudar a compreender a sua real insignificância, dedico a resposta do filósofo brasileiro Mário Sérgio Cortella à pergunta: Quem és tu?

“Tu és (apenas, acrescento eu) um individuo entre outros 6.400.000.000 (seis biliões e quatro milhões) de indivíduos, que compõem 1 espécie entre outras 3.000.000.000 (três biliões) de espécies, já classificadas, que vive num planetinha que gira em torno de uma estrelinha que é uma entre outros 100.000.000.000 (cem biliões) de estrelas, compondo uma única galáxia, entre outros 200.000.000.000 (duzentos biliões milhões) de galáxias num dos universos possíveis, e que vai desaparecer.

Acham que Deus se deu a tanto trabalho só para que a espécie humana existisse? Só para que Tu existisses?

Quem sou eu para achar que a única maneira de fazer as coisas é como eu faço?

Quem sou eu para achar que a única cor de pele adequada é a que eu tenho?

Quem sou eu para achar que o único lugar bom para nascer é onde eu nasci?

Quem sou eu para achar que o único sotaque correto é o que eu uso?

Quem sou eu para achar que a única religião certa é a que eu pratico?

Tu és o vice-treco do sub-troço.”

Gente grande de verdade, sabe que é pequena, e por isso cresce.

Gente muito pequena acha que já é grande, pelo que o único modo de crescer é abaixar qualquer outra pessoa que seja «mais grande» do que ela.

Ou destruir, pura e simplesmente, o que ela fez.