Exposição. Reconstituição histórica da vida de sete portugueses que foram deportados para os campos de concentração nazis. A exposição vai agora assumir uma itinerância por algumas escolas da região de Lisboa. Responsáveis pelo projeto estão a envidar esforços para a levar a Mostra a Paris.

António Orlando – texto

 

O trabalho “Deportados portugueses na II Guerra Mundial. Do internamento em França aos campos de concentração nazis” esteve exposto no Andar Nobre da Assembleia da República, entre 26 de janeiro e 3 de fevereiro. A exposição consistiu na reconstituição histórica da vida de sete portugueses (André de Sousa, Domingos da Cunha, Júlio Laranjo, Luiz Ferreira, Maria d’Azevedo, Michael Fresco e Richard Lopes) que foram deportados para os campos de concentração nazis, e resulta do contato com diversos arquivos europeus e com familiares destas vítimas do Holocausto Nazi.

O trabalho foi realizado, no ano letivo 2015/2016, por alunos do Agrupamento de Escolas de Vilela, que integram o Projeto NOMES (Nomes e Olhares para a Memória e o Ensino da Shoá), esteve patente ao público no átrio da Câmara Municipal de Paredes, de 9 de setembro a 4 de outubro de 2016, e foi depois apresentado, a 25 de novembro de 2016, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, no âmbito do colóquio “Reflexões sobre o Holocausto” promovido por aquela instituição de Ensino Superior e a APH (Associação de Professores de História).

Um momento marcante para os autores quer pelo contato direto com alguns dos mais importantes historiadores portugueses sobre a temática (Irene Pimentel, Manuel Loff ou João Paulo Avelãs Nunes) quer pela apresentação do trabalho a uma plateia de alunos, professores, historiadores e representantes dos Ministérios da Educação e dos Negócios Estrangeiros.

A exposição na Assembleia da República foi igualmente marcante para os alunos, que viram o seu trabalho apresentado a um público muito diverso e prestigiado: para além do Presidente da Assembleia da República e de Deputados deste Órgão de Soberania, estiveram na inauguração, entre outros, vários elementos do Corpo Diplomático, representantes de várias religiões e familiares de sobreviventes do Holocausto.

Esta exposição, apoiada pela Câmara Municipal de Paredes e pela Direção do Agrupamento de Escolas de Vilela, só foi possível graças ao empenho dos alunos Ana Brito, Beatriz Serôdio, Deolinda Ribeiro, Diogo Almeida, Inês Bastos, Joel Nogueira, José Miguel Rocha, Juliana Cardoso, Lucas Pinto, Margarida Barbosa, Maria Santos, Marta Alves e Tiago Ribeiro, do Agrupamento de Escolas de Vilela, e à professora Sandra Costa.

O Projeto NOMES visa o ensino e a memória da Shoá (Holocausto), através de relatos de pessoas, para que a humanidade não perca a noção de que não é de números que se trata mas de vidas humanas, quando se evoca a Solução Final do problema judeu, perpetrada pelos nazis. Seis milhões de judeus foram mortos durante a Segunda Guerra Mundial pelo regime nazi de Adolf Hitler.

A exposição vai agora assumir uma itinerância por algumas escolas da região de Lisboa. Entretanto, os responsáveis pelo projeto estão a envidar esforços para a levar a Paris, via Mémorial de la Shoah ou Embaixada de Portugal na capital francesa, para que os familiares das vítimas do Holocausto Nazi que colaboraram na sua realização a possam ver presencialmente.