Por Rui Silva, Bancário

Com a chegada da Primavera, a subida da temperatura, a mudança da hora e a paisagem mais florida e verde, parecia que tudo se iria compor para que durante os próximos meses os Paredenses usufruíssem de um conjunto de fatores que iriam melhorar a sua qualidade de vida. Mas logo alguém tratou de acinzentar esse ambiente, com o envio para cada caixa postal do aviso para o pagamento do IMI (imposto municipal sobre imóveis).

E enquanto não entram em vigor as últimas alterações, propostas pelo poder central, que o encarecem, como a valorização dos imóveis pela vista paisagística e a proximidade dos diversos equipamentos de utilização social, entre outros fatores, lá se vai encarregando a nossa Câmara Municipal de fazer os habitantes deste território pagarem o IMI mais caro de toda esta Região, e um dos mais caros do País. Até os habitantes dessas parvónias que são Lisboa e Porto pagam menos que os Paredenses. Líderes mais uma vez e uma vez mais pela pior razão.

Com a mudança da hora e com o tempo a ajudar, e por consequência com a noite a cair mais tarde, torna-se convidativo que depois do dia de trabalho, se faça um périplo pelo nosso Concelho, recordando as bonitas paisagens naturais que possuímos. Infelizmente será a oportunidade para também constatar o verdadeiro abandono a que Paredes foi votada por este Executivo Municipal, que salvo algumas obras efetuadas em alguns locais estratégicos, por força do seu “peso politico”, nada mais foi feito. Apesar deste marasmo, as Finanças Municipais apresentam um brilhante e grandíssimo saldo negativo, como é conhecimento de todos, que estamos e estaremos por muitos anos a pagar.

Mas nada disso é importante, pois, acima de tudo estão as próximas eleições Autárquicas, já ao virar da esquina, e à distância de uns míseros seis meses, como indicia a colocação dos chamados “outdoors” por parte do candidato laranja, em todas as quelhas, rotundas, cruzamentos, passeios e pasme-se até a ocupar a faixa de rodagem, mas só um bocadinho e só em alguns sítios… A fotografia do candidato surge sob um fundo com a cor verde a dominar cromaticamente o cartaz, o que para mim até me agrada, pois faz-me lembrar o meu Sporting. Mas a outras pessoas que não tem a mesma opção clubística, relembra as cores do BES, o que não é, nem será grande recordação.

Mas, contrariamente ao BES que foi prejuízo para todos, as muitas dezenas de cartazes já espalhados pelo Concelho são lucro para alguns, pois os largos milhares de euros já investidos, são proveito para os profissionais desta atividade, que já esperam nervosamente que as outras forças partidárias entrem também na corrida, desejando que revelem a mesma capacidade de investimento, transformando dessa forma a nossa paisagem e oferecendo um leque diversificado de propostas e promessas para caçarem o votito,

E como o tempo urge, lá se torna necessário fazer as chamadas obras eleitorais, mesmo que a conta fique para pagar para quem vier de seguida, como a distribuição dos tradicionais “paralelos”, do “semear de alcatrão”, mesmo que a espessura seja a de um papel, do descerrar das placas alusivas às “benfeitorias”, e para terminar mais uma “rodada” de corte de fitas, com o Srs. Presidentes da Câmara e das Juntas Laranjinhas a mostrarem o melhor sorriso “Colgate”, com o tesoureiro de pasta na mão, espreitando por uma nesga, para que as pessoas o reconheçam como sendo o dos cartazes.

Não estou a exagerar, pois não?