Diogo Alves, 35 anos, desistiu do curso de Engenharia Zootécnica para se dedicar a um negócio próprio. Na altura, com 19 anos, o jovem começou a comprar pequenos leques de material dentário que vendia a médicos dentistas conhecidos.

Dois anos depois, Diogo e a esposa Joana fundaram a empresa Douromed, em Vila Real, e em 2005 mudaram as instalações da empresa para o concelho de Paredes. Hoje empregam cerca de 30 funcionários e comercializam produtos para todo o país, Espanha e Moçambique. 

A ideia nasceu quando Digo Alves e a esposa Joana Tavares estavam a terminar a licenciatura na Universidade de Trás os Montes e Alto Douro, em Vila Real. Entre abrir um negócio de abestruzes e comercializar material dentário o casal optou por ficar ligado à área da medicina dentária, muito pelos contactos que mantinham com médicos da especialidade. “Começamos com um leque pequeno de produtos que íamos vendendo aos médicos dentistas com algum desconto”, garante o empresário.

Dois anos mais tarde o casal abria a primeira loja da Douromed, em Vila Real. Em 2005 mudaram-se para a freguesia de Gandra na tentativa de centralizar a empresa e estar mais próximos dos clientes importantes da região. “Tínhamos um grupo de clientes importantes nesta região e como gostamos disto decidimos mudar. Primeiro para uma pequena loja e depois para as instalações onde a empresa funciona hoje”.

“Estamos também a dar cartas em Moçambique e na Madeira”

Atualmente vendem materiais de medicina dentária para todo o território nacional, incluindo a Madeira, e também para Espanha e Moçambique. Trabalham diretamente com médicos dentistas e comercializam centenas de produtos, desde máquinas a material de consumo diário das clínicas.

“99% das empresas que existiam na região norte já fecharam porque as margens de lucro foram ficando mais reduzidas. Hoje as que ainda se mantém vão buscar os produtos diretamente à fábrica”, sustenta.

A Douromed importa 99% dos materiais dentários de vários países do mundo e assegura uma rede de contactos que permite que estes produtos cheguem em 24 horas ao cliente. “Em Portugal só existe a Bastos e Viegas a fabricar, o que obriga a importar os produtos de 25 países diferentes. Isso exige uma capacidade económica muito grande, mas felizmente está a funcionar bem”, garante Diogo Alves.  

A Douromed importa produtos de 25 países que são depois armazenados em ambiente controlado

A Douromed importa produtos de 25 países que são depois armazenados em ambiente controlado

Todo o material que é importado é armazenado numa parte da empresa onde o ambiente é controlado e os produtos são normas separados segundo de segurança. O investimento avultado, garante o empresário, coloca a empresa “ao mais alto nível”. “Temos produtos a custar um euro e outros a chegar aos 90 mil euros, o que exige um investimento muito grande. Fomos investindo para que pudéssemos ter um melhor serviço e preço para o cliente”.

A aposta no mercado ibérico e africano veio alargar os horizontes e trazer à empresa novos desafios. Desde há dois anos que a Douromed domina o comércio de materiais dentários no país vizinho. “Somos a única empresa no ramo a vender para Espanha. E estamos também a dar cartas em Moçambique e na Madeira”, sustenta.

“Fomos investindo para ter um melhor serviço e preço para o cliente”

 A Douromed emprega hoje cerca de 30 trabalhadores e tem comerciais espalhados por todo o país. A formação é uma das principais apostas e exigência da empresa para acompanhar a evolução do mercado e dos produtos e assegurar o melhor aconselhamento aos médicos dentistas. “Durante dois meses acompanham o trabalho e visitam algumas clínicas de referência. O mercado vai evoluindo nós vamos acompanhando com formações todos os meses”, sustenta.

É para o mercado interno que segue 80 % da produção da empresa. Ainda assim, Diogo Alves assume que a Douromed está em expansão no mercado externo e a conquistar a confiança dos clientes lá fora. “É um mercado que tem um potencial enorme e estamos ainda numa fase muito embrionária”, sustenta, acrescentando, “em Moçambique a saúde oral é praticamente inexistente. Surgiu-nos um parceiro que quer desenvolver o ramo, mas é um projeto a longo prazo que só começará a dar frutos daqui a cinco ou dez anos”.

A empresa já equipou clínicas dentárias em todo o mundo

A empresa já equipou clínicas dentárias em todo o mundo

Diogo Alves orgulha-se de saber que a Douromed já equipou clínicas de medicina dentária em todo o mundo. “Somos conselheiros dos nossos clientes e gostamos de crescer com eles. Acompanhamos o sucesso de cada um porque eles também fazem o nosso sucesso”, garante. Ainda assim, e a braços com uma concorrência “desleal”, principalmente empresas espanholas que trabalham por catálogo, a Douromed, através da certificação adquirida junto do INFARMED, garante aos seus clientes a máxima qualidade e variedade.

Para o futuro Diogo Alves vai continuar a apostar no mercado internacional e equaciona investir em Angola e nalguns países da América Central. “Temos de continuar a trabalhar. A nossa perspetiva é boa, mas sempre assente na realidade”, sustenta.