Há muito que defendemos a teoria de que os dirigentes políticos, os sindicalistas, os técnicos e os intelectuais e outros, teem o dever de dar o seu contributo para uma mais alargada justiça social. Isto porque a pobreza leva muitas vezes a becos sem saída ou seja, entre outros malefícios à marginalidade, à droga, ao alcoolismo, à prostituição, etc., flagelos sociais a ter em conta e a prevenir. Vivemos num mundo dominado cada vez mais pela tecnologia e pelo dinheiro onde há, pelas leis da natureza muitas enfermidades desde a infância até à velhice, onde há muita gente sem lar e sem trabalho, pelo que se torna imperativo reorganizar a sociedade em benefício de todos, valorizando a ciência política e protegendo sempre os mais fracos. Estamos num ciclo histórico em que se vislumbram profundas transformações, por isso devemos exigir aos governantes um pouco de vontade idealista para dar mais firmeza à política, o que se pode traduzir numa dádiva mais substanciosa à doutrina e à pedagogia. Sabemos, essa é a nossa presunção, que a concentração da riqueza nas mãos de alguns convive com a indigência de muitos, sendo visível que na sociedade em que vivemos há situações dolorosas de pobreza e de exclusão. Claro é que o tempo vai fluindo e o homem vai adormecendo, mas exemplos como os que ocorrem com o Banco de Portugal, e pretende a Caixa Geral de Depósitos, com as Águas de Portugal, com as Empresas Municipais e, especialmente com a EDP, levam a população, depois de saber os vencimentos dos felizardos, a convencer-se, não sem razão, que se está num ciclo de “fartar vilanagem”! Não iremos tão longe na expressão popular, mas defendemos que o inconformismo é o sal da democracia autêntica, porque é por este meio que a pessoa humana não se deixa render à morte quotidiana da esperança e da utopia. No presente, e pelo que nos é dado observar, ser inconformista é, em certa medida, não perder a capacidade de indignação e, por outro lado, reivindicar o direito ao sonho de um futuro melhor. É importante compreender os novos movimentos sociais e sociológicos e estar disponível para o exercício pleno da cidadania. Estamos convictos que tal exercício não se compadece com o conformismo, nem com a acomodação, nem tão pouco com a inércia social e, muito menos, com o politicamente correto, ou seja, com todo o empecilho que sufoca a capacidade criadora do ser humano. É o homem que deve estar no centro da evolução, do desenvolvimento, do progresso, assumindo, enfim, consciência crítica em relação ao sistema e ser o motor das mudanças. Continuamos a pensar que se devem abrir as amplas avenidas da discussão, a criar novas dinâmicas, a sustentar o sonho e a promover o livre desenvolvimento da individualidade humana. Estamos com os que acham que “a história e a sociedade se constroem à medida dos homens e dos tempos”, e que ser inconformista é, antes e acima de tudo, ser democrata e estar em permanente vigilância. Hoje a civilização parece-nos cada vez mais bizarra. É possível que assim seja, talvez por ser mais tecnocrata do que humanista. Os homens que se reivindicam da realidade, os homens práticos, aqueles que explicam tudo pelos números, parecem não se dar conta que são seres efémeros. Assumamos, aqui e agora, que ninguém é perfeito e todos temos as nossas fragilidades. Mas é possível alcançar a harmonia, o alento, e o otimismo numa vida melhor. De momento, neste preciso momento, o país só conta com os cortes a fazer ao povo em geral e aos reformados e desempregados em particular, já que se veem os tubarões a emergir à tona, cada vez mais gordos e não é só por efeito dos pasteis de nata de Belém. De profundis…