Está o mês de Julho a terminar e aí temos mais um período de férias à porta. Em Agosto cumpre-se a tradição e a maioria dos portugueses vai a banhos, sendo que muitos já estão fartos de levar, como se diz em gíria, “banhadas”, pois neste ultimo ano as taxas e sobretaxas, os aumentos de água, do saneamento e dos impostos (com o IMI à cabeça), foram um autêntico pesadelo para os nossos bolsos.

E porquê, que mal fizemos para merecer tal sorte? Como em tudo na vida, somos obrigados a fazer opções, e nem sempre as mesmas são as mais acertadas. A fatura dos erros, como a conta nos restaurantes, nunca falta e vem sempre no fim. Contam-se as pessoas que estão à mesa, cada um tem que tirar da carteira a sua parte do valor reclamado, quer tenha comido sardinhas ou lagosta. Todos estamos a pagar mesmo, o que foram outros a mandar vir.

Os exemplos são bastantes e conhecidos, já estamos praticamente de férias e como andar de bicicleta é uma atividade da época, vamos falar de um investimento realizado na nossa cidade, as celebres ciclovias ou “celsovias” como os que têm sentido de humor gostam de lhes chamar. Como o camarão puxa cerveja, as ditas vieram acompanhadas das bicicletas. As “máquinas” foram estreadas com pompa e circunstância. Figuras mediáticas, jornalistas, atletas e outros corredores percorreram as ruas da nossa cidade, numa verdadeira promoção de um investimento que custou ao erário público, se a memória não me atraiçoa, cerca de cento e trinta mil euros, coisa pouca para quem previa o grande sucesso da iniciativa, aumentando de 100 para 400, o número de bicicletas a circular em Paredes.

Agora imaginem o que seria nas oficinas da Câmara Municipal 400 bicicletas amontoadas. Se, como se vê pelas fotografias divulgadas, 100 já ocupam um espaço grande, 400 transformariam a oficina, não no Siloauto mas mais adequadamente num Silobiclas… Diz-se por aí que quem manda, ou desmanda, não ficou contente com as fotografias e ordenou uma investigação para saber quem foi o artista fotográfico. No entanto, o prejuízo não é para todos: se não existissem visionários deste calibre, o que seria das fábricas de bicicletas!

Em tempo de férias recomenda-se também a audição de música, e se permitem a sugestão, que seja de autores e músicos portugueses. Como tenho um especial prazer em ouvir os trabalhos dessa grande dupla Rui Veloso e Carlos Tê, deixo como recomendação escutarem a “Valsinha das Medalhas”, da qual, com a devida vénia, transcrevo aqui o refrão:

“Encosta o teu peito ao meu, sente a comoção e chora

Ergue o olhar para o céu, que a gente não se vai embora

Quem és tu donde vens, conta-nos lá os teus feitos

Que eu nunca vi pátria assim, pequena e com tantos peitos”

Teria sido particularmente bonito ouvir esta melodia aquando da entrega pelo nosso Presidente de Câmara da Medalha do Concelho a um certo nomeado pela maioria do PSD. Infelizmente não fui a tempo de pôr a música a tocar…

Com tantos músicos a sugerirem livros para o verão, fico-me por aqui. E em setembro cá estarei novamente, para os que gostam, para os que gostam menos e mesmo para aqueles que não gostam nada…

A todos, sem exceção umas boas férias!