Para além disto, ao tecer comentários sobre a pluralidade de opinião e de uma certa independência de ideias existente dentro do partido, não só honrou os princípios dos fundadores, como acima de tudo reforçou a ideia que a coragem de dizer as coisas certas no momento certo ultrapassa partidos e ideologias.

Como não podia deixar de o fazer durante as próximas semanas irei falar-vos do congresso nacional do PSD, aquilo que nos trouxe e aquilo que deveria no meu entender trazer. Um grande espetáculo político, sem dúvidas, com estratégias de comunicação refinadas até ao limite, mas que veio demonstrar, acima de tudo, que o PSD está bem e recomenda-se.

Acima de tudo, Pedro Passos Coelho deve ser destacado pela capacidade que teve de unir os antigos líderes Luís Filipe Menezes, Marcelo Rebelo de Sousa e Marques Mendes, que por muitas vezes manifestarem opiniões contrárias às dos seus colegas de partido, que neste momento estão no governo, e que não eram esperados, mas que com a sua presença e demonstração inequívoca de lealdade, demonstraram que o PSD, independentemente das conjecturas é hoje o mais bem organizado partido do nosso país, e o único com ideias concretas de longo prazo, ao contrário de outros, que por motivos eleitoralistas hoje pensam de uma maneira e amanhã de outra.

Deixa-me orgulhoso, como não poderia deixar de ser, poder pertencer a um partido que dá lições de democracia, e que demonstra que antes do protagonismo pessoal e dos lugares, está o interesse do partido e, mais importante de tudo o interesse nacional, pena é que alguns não sigam o exemplo dos seus líderes.

Isto é que é fazer política a pensar nas pessoas. E basta ver, que independentemente de todas as críticas, este Governo segue o seu caminho, e hoje o país está definitivamente melhor do que o que estava quando o PSD chegou ao Governo.

Mas para mim, quem melhor encarnou o espírito de um PSD forte, com convicções e ideias foi o professor Marcelo Rebelo de Sousa, que num brilhante discurso conseguiu o seu principal objectivo que era reafirmar que, apesar de uma opinião muito própria, é e sempre será do PSD e está pronto para o que o Partido precisar dele (nomeadamente uma candidatura às presidenciais). Ao fazer isto, o professor, não só conseguiu (re) conquistar os militantes, como com ataques irónicos a António José Seguro e aos problemas internos do PS, reforçou a sua dedicação à causa.

Para além disto, ao tecer comentários sobre a pluralidade de opinião e de uma certa independência de ideias existente dentro do partido, não só honrou os princípios dos fundadores, como acima de tudo reforçou a ideia que a coragem de dizer as coisas certas no momento certo ultrapassa partidos e ideologias.

Certamente um discurso que lamentavelmente não foi ouvido pelo nosso representante máximo, pois certamente o levariam a mudar de discurso e a deixar de fazer acusações banais e falsas ou mesmo de levantar falsos testemunhos ou até justificar actos seus com os ditos problemas pessoais, sobre quem o contraria.

Gostaria de destacar ainda toda a perspicácia política de Paulo Rangel, que com toda a astúcia e coragem, desafiou António José Seguro a anunciar o candidato do PS às eleições europeias, condicionando assim a estratégia que o PS tinha montado, pois Seguro foi no “engodo” e em vez de continuar a adiar conforme achasse melhor, acabou por fazer exactamente o que o PSD queria, ao anunciar Francisco Assis como cabeça de lista às europeias.

Enfim, este congresso foi, na minha opinião muito rico e valeu pelo seu todo, e conseguiu deixar, inclusive, uma imagem de força e união, provando mais uma vez que em democracia e num partido transversal como é o PSD, se pode discordar sem deixar de defender o partido e os seus interesses, sem esquecer os cidadãos que é o que realmente interessa.

Isto sim é que é fazer política!

Joaquim Neves