Por Vasco Ribeiro, Diretor

Realizou-se no passado fim de semana um dos meus sonhos de criança: A abertura do Túnel do Marão. No fim do túnel sob essa mítica montanha que faz parte do nosso imaginário, quiçá julgam os Transmontanos que encontrarão uma luz.

Talvez o ditado se mantenha quanto a para lá do Marão continuarem a mandar os que lá estão, mas o que será que eles encontram do lado de cá?

Em outros sítios não sei, mas o que encontrarão em Paredes preocupa-me se só olharem para os que mandam ou para os que julgam que vão mandar.

Preocupa-me porque estas personagens a que me refiro à falta de algo mais útil com que se preocuparem, ou por mais nada terem que dizer, resolveram em uníssono atacar o Progresso de Paredes, quando algo (e quanto disso há!) lhes não agrada.

Paradigmática foi a última Assembleia Municipal de Paredes, onde fomos o mote, o saco de pancada, enfim, a musa inspiradora dos pouco eloquentes vates da nossa política interna.

Vá lá que não beliscaram o cerne da nossa acção, ou seja, as nossas notícias, o seu interesse e veracidade. O alvo foi outro, porque mais subjetivo: Os nossos pretensos desígnios e as nossas pretensas convicções.

Já expliquei aqui uma vez esta estratégia: Se não se pode atacar a mensagem; ataque-se o mensageiro.

Porque tem o Progresso de Paredes tanta importância para estes senhores?

Vem um e diz que só nós demos determinada notícia, como se isso fosse pecado em vez da essência do jornalismo, que sempre busca a exclusividade.

Vem outro e diz que estamos a soldo dos seus adversários, ao que estes respondem, Olhem que não pois eles são vossos.

Enfim, ninguém nos quer: Estranha espingarda a nossa que na contagem é rejeitada por ambos os lados.

Eu tenho uma explicação, e acho que todos bem a sabem: É que a lado nenhum pertencemos, a não ser a nós mesmos.

O papel de um Jornal, julgamos nós, é dar notícias da comunidade que o envolve. Ora se a nossa comunidade é pequena, é natural que atinja os nossos próximos, o que é aborrecido se a notícia lhes não agrada. Temos pena.

O que deve então fazer o Jornal? Calar-se? Ter medo em mexer com o Poder e com os Interesses instalados ou que se pretendem instalar?

Não contem com o Progresso de Paredes para isso.

O Jornal é propriedade do PSD ou do PS? Preocupava-me mais se o PS ou o PSD fossem propriedade de alguém. E se calhar já estiveram mais longe disso do que agora.

O jornalista é BE ou CDS? Não lhe perguntei, porque não me parece importante. O que me parece é que tentar colar-lhe um rótulo é fraco argumento para denegrir o seu trabalho.

O Diretor é da CDU, PS ou PSD? Não sei, tenho de ir perguntar a esses partidos para ver se alguém pagou as minhas quotas.

Para cá do Marão, parece-me que o que nos caracteriza, não é o mandar, mas o Mandar-vir.

E mandar-vir com o Progresso de Paredes parece que se tornou o pobre argumento de quem não tem mais nenhum.

Pior; é o argumento que serve os da situação e os da oposição.

Pobre a Política que elege unanimamente como adversário o Jornal cujo mérito maior consiste, pelos vistos, em conseguir com as suas notícias (que ninguém desmente) que todos (ora uns ora outros) se sintam visados, ou melhor, verificados.