Todos nós, os que se ligaram desde a nascença a um mundo rural pelo qual nos empenhamos pela sua revitalização e pela salvaguarda da sua memória e identidade, tudo procurando fazer com o sentido educativo e altruísta tentando desta forma fazer da nossa terra natal um rincão de excelência e pugnando por transmitir aos mais novos um sentido gosto pela fortificação de uma democracia vivida de forma escorreita, participada e, por todos, construída dia-a-dia.

Infelizmente, hoje, aqui e agora cada vez mais do que nunca, é-nos sonegada uma perspetiva histórica da nossa vida coletiva. A contrário senso, a maioria é levada ao sabor das ondas, de modismos patéticos e, no fundo, inanes, ou seja, de toda e qualquer moda, julgando que tudo é possível de ser prometido, sem que haja o decoro de não ser cumprido, vendo-se que a política não brota da linguagem de uma alma pura, serena e tranquila, nem tão pouco amante da verdade e do respeito pelo próximo.

Nem há muito que admirar do estado a que chegamos e que, para nosso mal, está para lavar e durar, até porque a imensa maioria do povo foi levada a substituir a sensibilidade e o bom senso pela vaidade desmedida, pela luxúria e pelo culto de dar nas vistas, pelo deixar correr o marfim e pela lei do menor esforço. Por isso, repetimos, não temos, de facto, uma perspetiva histórica da nossa vida coletiva. Estamos no eterno “salve-se quem puder”.

Não podemos esquecer, agora e sempre, que enquanto por cá abandonamos os campos e as pescas, fecharam-se fábricas, criou-se um país rotinado para serviços, com o interior despovoado e com uma imensa concentração junto ao litoral, não há planeamento que resista e já se vai caminhando com vistas a demolições. Enquanto isto, outros países, com dirigentes mais avisados e diligentes, reforçaram a sua política industrial, estimularam o comércio e procuraram implementar um processo gradual e sustentável.

Por tudo isto, também, não é de estranhar a inundação do comércio chinês, que veio para ficar. Logicamente que assim havia de acontecer, na medida em que nos transformamos num país que não produz quase nada, mas que importa quase tudo, havendo necessidade urgente de refletir sobre o nosso próprio futuro, com a filosofia dos próprios chineses, que têm um sugestivo provérbio que devemos aproveitar, como seja: “com paciência, as folhas da amoreira tornam-se vestido de cetim”.

O nosso mal é, tantas vezes, não acreditarmos em nós próprios e desistirmos de lutar por objetivos, mas há que saber entranhar na nossa mente que as coisas só são possíveis a quem acredita. É que enquanto os chineses organizavam a sua produção e o seu comércio, Portugal optou por deitar-se à sombra da árvore dos subsídios, na convicção de que o futuro se constrói sem sacrifícios e que o amanhã, demitidos que nos fizemos, haverá de ser cantante, como pensava, se é que pensasse, a cigarra.

Não temos dúvida que todos podemos errar, incluso os governantes, por mais impantes que se apresentem, mas é chegado o tempo de quem nos (des)governa mobilizar energias e vontades para se cumprir o país e promover um desenvolvimento com mais justiça social. Só que isto só se alcança com muito trabalho, muita investigação e muito estudo.

O nosso problema é que para tal se torna urgente apostar na educação, a qual é a chave para abrir a porta do futuro. De contrário, quase sem darmos por isso, continuaremos a consumir muito do que os chineses produzem.