Um recluso do estabelecimento prisional de Paços de Ferreira provocou um incêndio, no passado dia 23 de julho, durante a visita da presidente da Assembleia da República à cadeia de Paços de Ferreira. O fogo terá sido provocado para chamar a atenção para as condições dos reclusos daquela cadeia, mas acabou por passar despercebido à comitiva.

Assunção Esteves chegou ao estabelecimento prisional ao início da tarde acompanhada por membros da Comissão Parlamentar dos Assuntos Constitucionais, de Direitos, Liberdades e Garantias e pelo diretor-geral dos Serviços Prisionais, Rui Sá Gomes para conhecer as instalações.

A comitiva que acompanhava a presidente da Assembleia da República começou a visita às instalações no refeitório e nas oficinas de trabalho, ao mesmo tempo que um recluso já tinha ateado fogo nos colchões de uma cela, numa das alas da prisão.

De imediato os guardas prisionais deram conta do incêndio e intervieram na tentativa de apagar as chamas. Contudo, o fogo já tinha alcançado dimensões que exigiam a intervenção dos bombeiros voluntários de Paços de Ferreira, que em pouco tempo chegaram às instalações e procederam à extinção do fogo e extração do fumo.

Apesar da intervenção rápida dos bombeiros, estiveram no local dez elementos apoiados por duas viaturas de combate a fogo e uma ambulância, dois dos guardas prisionais que tentavam apagar o fogo acabaram por ser transportados para o hospital Padre Américo, em Penafiel, devido à inalação de fumo.

Ao que tudo indica a cela terá sido incendiada em sinal de protesto pelas condições dos reclusos daquele estabelecimento prisional. Porém, o incidente acabou por passar despercebido à comitiva que acompanhava a presidente da Assembleia da República.

Confrontado com a situação pelos jornalistas o diretor-geral dos serviços prisionais preferiu não comentar, optando por chamar a atenção para a falta de meios humanos nas prisões portuguesas, transmitindo esperança de que o Governo contrate mais guardas prisionais.

O responsável admitiu que faltam cerca de 700 guardas nas cadeias portuguesas, mas explicou que tal falta só poderá ser colmatada quando o Ministério das Finanças autorizar o lançamento de um concurso para novas contratações.

Rui Sá Gomes negou haver uma situação de rutura nos serviços prisionais, mas reconheceu a “situação de sobrelotação”, com uma população 12% superior à capacidade das cadeias.

A presidente da Assembleia da República durante a visita ao estabelecimento prisional de Paços de Ferreira contactou com vários reclusos e formadores daquela cadeia, visitou vários espaços de ofícios onde cerca de 200 dos 714 reclusos do estabelecimento frequentam ações de escolarização, do primeiro ciclo ao secundário.