Quando não se pode destruir a mensagem, ataca-se o mensageiro.

Há 15 dias atrás, quando publicamos a notícia sobre a auditoria às contas de Junta de Freguesia de Cete, estávamos longe de prever a celeuma que o nosso furo jornalístico ia gerar.

A nossa notícia foi notícia!

O aspeto mais importante para nós é que A MENSAGEM DA NOTÍCIA NÃO FOI DESMENTIDA.

Aproveitaram-se uns para atacar a curiosa situação; Justificaram outros a curiosa situação, e não podendo negá-la, atacaram o mensageiro.

Mas a mensagem essa, porque apresentada com objetividade, com clareza, com frontalidade e com verdade, em nada foi beliscada.

Mas há ainda um aspeto que pretendemos realçar e que é importante dizer: Se se tratasse da Junta de Freguesia de Rebordosa e fosse uma auditoria que o PSD adjudicasse a uma empresa contabilística de que hipoteticamente Celso Ferreira fosse dono, para nós também seria notícia a levar aos nossos leitores com igual destaque.

E foi assim que acabamos por ser atacados indiretamente, atribuindo a Joaquim Neves, um mérito (o de dar uma boa notícia) que lhe não pertence.

Ora, sirva este editorial para quem de direito (eu) apresentar as devidas justificações pela publicação dessa Boa notícia, dizendo o seguinte:

O que está em causa não é a competência técnica ou até a honestidade intelectual de Alexandre Almeida. Recordo que é o colunista em assuntos económicos do Progresso de Paredes. Se não gostássemos dele, não o publicávamos.

Somos é suficientemente independentes, com ele e com qualquer um, nomeadamente com Joaquim Neves, com Elias Barros, com Celso Ferreira, etc, de, se fizerem asneira igual, a noticiar.

Ora a notícia sobre a auditoria diz algo que é óbvio, menos para o PS de Paredes: Que a empresa de Alexandre Almeida não seria a única a descobrir irregularidades se elas existissem: Só que não tem a isenção, a independência, o afastamento necessário para merecer a Autoridade que é conferida a uma Auditoria.

Uma auditoria, que se pretende que seja um instrumento sério e credível, ao ser feita por alguém que é parte interessada na questão, fica inquinada à partida.

E é o próprio Alexandre Almeida que o reconhece, a fazer fé na transcrição das suas declarações nos outros dois jornais locais “Não era eu que ia realizá-las”. E isso faz diferença, sendo uma sua funcionária a vasculhar as contas?

Esta frase insidiosa, sublinhe-se, não consta da notícia publicada pelo Progresso.

Todos sabemos que toda e qualquer auditoria será sujeita a contraditório do visado. Porém, o que a opinião pública guarda na retina e no ouvido, não são as explicações e justificações, porventura válidas, do visado, mas toda e qualquer dúvida primeiramente suscitada pelo acusador.

E mesmo que as dúvidas se esclareçam e justifiquem, a verdade é que nunca serão eliminadas a ponto de ninguém dizer a frase “não há fumo sem fogo”.

É do clima de suspeição que uma auditoria potencialmente interessada pode gerar, que tal auditoria interessada é suspeita. É assim tão difícil de perceber?

E foi esta notícia que o Progresso noticiou.

Será então justo, que, por consequência, se venha dizer que esta verdade cristalina é um ataque a quem quer que seja? Será este exercício jornalístico puro a manutenção de um qualquer espírito de terrorismo jornalístico? É vergonhoso o facto de o Progresso de Paredes ser o mensageiro desta notícia? Não nos parece.

Então, a que propósito se mistura a nossa notícia com vozes e nozes sobre quem são ou foram os alegados proprietários do jornal? Isso, sim, é uma mistificação.

O Progresso, actualmente (e só pela actualidade respondo) não é instrumento de auto-promoção de ninguém; não é instrumento de perseguição de ninguém.

O Progresso quer ser um mensageiro, porventura incómodo, que, se incomodar demais, procurarão calar. É inevitável.

Mas não é, e não será nunca, a voz do dono, de qualquer dono que nos queira domesticar, fosse ele qual fosse.

Por muito que queiram fazer parecer que não é assim.

Mais do que a mulher de César, a nós não nos basta parecer sérios, nós somos sérios.

Seja qual for das 3 mulheres de César de que se esteja a falar: Cornélia Cinila, Pompeia Sula ou Calpúrnia Pisão.