Por Vasco Ribeiro,

Diretor de O Progresso de Paredes

 

Vivemos numa sociedade muito hipócrita. Em que toda a gente sabe e ninguém faz nada e em que toda a gente faz e ninguém sabe.

Falo da política? Não; falo da política, da sociedade, da família, do desporto, dos negócios, da amizade …

Em tudo existe sempre algo de encoberto, de misterioso, de indízivel e de inaudível.

Um permanente fingimento parcial em que as partes e o todo estão em permanente elasticidade mas em que este nunca as consome totalmente, aglutinando-as num só em si mesmo.

A plenitude não existe.

Somos o tempo que nos resta, retius, somos os Tempos que nos restam, mas somos também a soma das partes estanques que antes já fomos.

Não veja a mão esquerda aquilo que a direita faz, ensinou-nos Cristo.

Mas não foi ele que nos ensinou a mão direita a esconder da esquerda o que anda por aí a fazer.

Nota: Polichinelo é uma personagem de ficção que contrariava a hipocrisia coletiva pois divulgava publicamente aquilo que todos sabiam e afirmavam à socapa.