Por Vasco Ribeiro, diretor

Like a bird on a wire: I saw a beggar leaning on his wooden crutch, he said to me “you must not ask for all that much” but a pretty woman standing in her darkened door, she cried to me “hey, why not ask for more?”.

A democracia é, também, o direito a resmungar quanto às decisões, opções e estratégias do governo que nos foi dado oportunidade de escolher.

Nós (num todo nacional e mesmo que não votando neste partido) escolhemos o PS (é tempo de esquecer fúteis discussões sobre legitimidade democrática, de que só convém lembrarmo-nos quando tivermos de escolher de novo) e o PS escolheu o caminho; O seu e o de todos nós.

Se temos direito a resmungar contra esse caminho, e até de, intimamente, não confiar inteiramente nele; Não temos direito a não o percorrer.

Não temos direito a sabotá-lo (se tal fosse eventualmente possível) e temos a obrigação de remar em tal direcção com todas as forças que nos for possível.

Evidentemente, enquanto remamos, temos direito a olhar para o céu e tentar ler nas estrelas se o rumo e o caminho é o certo e o pretendido.

Mas, em nome de um nacional e comum propósito, temos obrigação de acreditar que este é o caminho certo (mesmo que não fosse o nosso se nos tivesse sido dada a responsabilidade de o escolher).

Obrigação duplicada actualmente pelo facto de sabermos que este caminho se baseia muito na confiança: Quer na confiança dos outros, mas, sobretudo, na confiança em nós próprios.

Ler-se-á deste editorial que desisti de morder nas canelas do António Costa? Creio que não. Mas não posso deixar de admitir que me desagradou ouvir dizer a Passos Coelho que no seu tempo o Banif estava bem.

Não estava e se é certo que agora poderemos não estar melhor, a verdade é que não foi o Velho do Restelo que chegou à India.

Como um pássaro num fio: Eu vi um mendigo apoiado numa muleta de madeira, que me disse: “Não podes pedir tanto”; Mas uma linda mulher junto à sua porta escura implorou-me “Hey, porque não pedir mais?”