Vice-Presidente da Câmara, Pedro Mendes diz-se entusiasmado com a possibilidade de voltar a ver o  União de Paredes a jogar no Estádio das Laranjeiras. “Porque não?” interroga.

António Orlando – texto

A Câmara de Paredes comprou, hoje, os terrenos das “Laranjeiras” por 1,6 milhões de euros. A leilão apenas compareceu uma proposta, a da autarquia paredense. O preço base estabelecido pela administradora de insolvência da empresa Guedol (até aqui dona dos terrenos) era de 1,4 milhões. A abertura de propostas decorreu em Oeiras, Lisboa.

Refira-se que a autarquia, em 2008, tinha vendido esses mesmos terrenos por 8,5 milhões de euros e agora, nove anos depois, os terrenos voltam para a posse do Município por 1,6 milhões de euros.

Desta forma os terrenos que compreendem o velho Estádio das Laranjeiras, campo de treinos e pavilhão gimnodesportivo passam a estar sob o domínio público. Compete à câmara de Paredes determinar o futuro daquela (velha) zona desportiva.

Em declarações ao Progresso de Paredes, o vice-Presidente da Câmara Pedro Mendes, diz ter sido decisivo para este desfecho que classifica de “feliz”, a sua proposta aprovada em reunião de câmara que “afastou”  outros interessados em adquirir o terreno. “Tendo em conta a importância destes equipamentos para a nossa comunidade propus e foi aprovado, por unanimidade, que fosse tomada uma deliberação sobre o desejo da Câmara e que fosse dada a devida nota pública a todos os interessados que a Câmara de Paredes estava interessada naqueles dois equipamentos e que não iria abdicar deles. Isso foi decisivo, não apareceu ninguém”. Mendes lembra que em curso está a revisão do Plano Diretor Municipal (PDM) e que a classificação dos terrenos das laranjeiras (lugar dos Trigais) “deveria ser revertida para equipamentos”.

O vice-Presidente, Pedro Mendes diz-se entusiasmado com a recompra do pavilhão, mas também do estádio: “quanto ao estádio das Laranjeiras voltar a ver o União de Paredes a jogar ali é algo que me entusiasma. Porque não? Não põe em causa a cidade desportiva. A cidade é dos cidadãos e cabe-lhe discutir os seus interesses e desejos e essa discussão deve ser feita de forma alargada e não devemos ter medo de fazer essa discussão”, acrescenta, Pedro Mendes.

(Notícia com desenvolvimento no jornal Progresso de Paredes de 3 de fevereiro)

História

 

  • Em 23 de janeiro de 1926, Maria Augusta Ferreira Neto de Sotto Maior e Menezes doou um terreno com 10 000 m2 para um campo de futebol e balneários (o actual estádio das Laranjeiras) ao União Sport Clube de Paredes, com a condição de ser utilizado para fins desportivos e recreativos.
  • Em 1997 o Tribunal de Trabalho de Barcelos, por dívidas a um jogador, determinou a penhora do estádio para o pagamento de dívidas a um jogador do clube.
  • E foi esta penhora que levou a que o estádio das Laranjeiras fosse vendido em hasta pública à Fundação Nortecoope, que pagou cerca de 75 mil euros pelos terrenos. Dois anos depois, a Câmara Municipal chegava a acordo com a Nortecoope e comprava o estádio, negócio feito pelo então Presidente da Câmara, Granja da Fonseca.
  • O União Sport Clube de Paredes continuou a usar o espaço até que a autarquia decidiu vender os terrenos à Guedol. Em 2008 a autarquia já era liderada por Celso Ferreira que deu luz verde ao negócio que iria permitir encaixar cerca de 8,5 milhões de euros pela venda dos terrenos onde se previa vir a ser construído um centro comercial.
  • Alegadamente nessa altura, nove herdeiros testamentários da D. Maria Augusta, uma vez que esta não teve descendentes, tiveram conhecimento do negócio e avançaram com uma ação judicial para anular a venda.
  • A 1 de outubro de 2015 o STJ considera que a venda do estádio a um promotor imobiliário não viola o espírito da doação de 1926 como era alegado pelos herdeiros da benemérita Maria Augusta de Sotto Maior e Menezes.
  • A 25 de janeiro de 2017 câmara de Paredes compra, em leilão, os terrenos das laranjeiras por 1,6 milhões de euros.

 

(Notícia atualizada em 26/01/17)