SOBRE FUTEBOL

Por Juvenal Brandão, Treinador de Futebol UEFA Pro (Grau IV), Licenciado em Gestão de Desporto

Reiniciou-se esta 4ª feira a 1ª Liga de futebol em Portugal, após a paragem forçada devido ao coronavírus.

Foram cerca de três meses sem competição (uma paragem maior do que entre duas épocas) onde muita coisa se passou – a maior parte desinteressante, deselegante e desprestigiante.

Desde o circo montado por alguns clubes, incrédulos e revoltados, pela reunião entre o Primeiro-Ministro e os três grandes do futebol português com o presidente da FPF e da Liga (afinal sabiam da reunião e foram eles que pediram aos 3 grandes que os representassem) sobre a retoma do futebol; passando pela quase não ida de Pedro Proença (presidente da Liga) a essa mesma reunião – só foi “repescado” à última da hora (como é que o presidente dos clubes não foi convidado e foram os clubes e o presidente da FPF?!); não esquecendo a novela sobre se o futebol regressaria no Algarve, ou na zona Centro do país, ou nos estádios do Euro, ou se em todos (estes cenários foram todos por esta ordem equacionados…); lembrando o “finca-pé” de alguns “acima-da-lei” que se acham “donos-disto-tudo” no que toca a não abdicar de jogar no seu estádio, mesmo que estivéssemos a falar de viagens aéreas, antes mesmo da Direcção-Geral de Saúde se pronunciar sobre quais seriam as condições para haver futebol; e ainda a impugnação da 2ª Liga por um clube da 1ª (Marítimo); até à mais recente tempestade que fizeram (e não houve ainda quem a explicasse convincentemente) a uma carta de Pedro Proença ao Presidente da República sobre a transmissão de futebol em sinal aberto; terminando com a não aprovação das 5 substituições, pelo menos até à realização de uma Assembleia Geral na próxima semana, porque há sempre dirigentes que gostam de complicar e boicotar; foram novelas a mais para um futebol português que parece não ter quem o leve para o caminho certo – o caminho da pacificação, do bom nome, dos bons exemplos, da comunhão de propósitos, sem polémicas, de resolver os assuntos nos locais certos…

Apreciei com interesse as decisões dos clubes sobre as decisões que tomaram sobre o eventual reembolso aos seus sócios com lugares e quotas pagas relativamente aos jogos que não vão poder assistir porque se realizam à porta fechada. A maioria credita o valor proporcional aos jogos não realizados em vouchers, ou em conta corrente virtual, que depois permite adquirir produtos e serviços do clube, mas só um fez aquilo que me parece mais sensato: devolver realmente e na íntegra o valor aos sócios, sensibilizando-os, no entanto, que a doação seria muito importante ao clube, afectado pela pandemia. Esta posição, de carácter e respeito, provavelmente seria/será bem acolhida pelos sócios que afinal querem, mais que tudo, ajudar o seu clube. O FC Paços de Ferreira foi o único que o fez exactamente nestes moldes! Parabéns.

Pelo meio, coisas importantes como qual é a decisão se o campeonato for interrompido novamente, ou for dado como terminado, não foram esclarecidas.

Ficando tudo isto para trás, que volte agora a bola a rolar e que se apure o campeão, os representantes europeus e os despromovidos dentro do campo. É certo que a competição nunca mais será a mesma, que são quase duas competições dentro de uma só, mas é igual para todos, por isso, que no final da época não se venham com mais desculpas e mais polémicas. Portugal e o futebol português não precisam disso.