Por Rui Silva, Bancário

O dia 25 de Abril de 1974 é o mais importante da nossa História recente, e certamente um dos mais importantes da nossa existência enquanto Nação. Portugal, a Pátria que deu novos mundos ao mundo, viu os seus militares pegar em armas e derrubar o regime anterior para cumprir o sonho de por fim a uma guerra que dilacerava o Império, encontrar o caminho da modernidade e do desenvolvimento.

Quarenta e dois anos já passaram sobre aquela madrugada, sobre o grito de revolta dos jovens e bravos capitães, de todos os extratos sociais e políticos, que cheios de coragem e empenho, lograram concretizar aquilo que outros já tinham tentado: pôr fim a uma ditadura, que tornou Portugal um pais amordaçado, com condições de vida miseráveis, com acesso ao ensino e cuidados de saúde para poucos, e sem Liberdade de escolher o seu destino. O 25 de Abril foi de todos. A adesão popular, espontânea e imediata, a revolução, dos cravos em vez de balas, varreu o País de lés-a- lés, sem oposição relevante.

O 25 de Abril é nosso, dos das Direitas e das Esquerdas, democráticas, dos que amam a liberdade, a igualdade de oportunidades, que querem justiça para todos, liberdade de associação, a liberdade económica, a separação dos poderes, com a superioridade do poder político sobre todos os outros, a liberdade religiosa e a liberdade de expressão.

Daqueles que sabem que a regra é um homem um voto, mas que um homem é muito mais do que um voto e não vale tudo para o conquistar.

Não me lembro doutra ocasião, nestes quarenta e dois anos, em que fosse tão necessário relembrarmos o que sentimos no dia 25 de Abril de 1974, como neste ano. O Mundo vive uma crise nunca vista. Os fundamentalismos, fanatismos e radicalismos estão a tentar minar e destruir os pilares da civilização ocidental e por em causa muito do que a sangue, suor e lágrimas conquistamos ao longo da nossa evolução como Povos.

Por cá, temos que olhar para o enorme percurso que como País efetuamos desde o fim da ditadura. Mas também este dia é o indicado para se refletir no que tínhamos antes e no que temos agora, no imenso trabalho que foi realizado, também a nível local, para a efetiva melhoria das condições de vida. O papel de destaque que o Poder Local tem desempenhado ao longo destes anos é, sem dúvida, uma das mais significativas expressões de Abril.

Mais poderia ter sido feito? A resposta é sempre afirmativa. Cabe a cada um de nós julgar o que foi e o que será, daqui para o futuro, o legado de Abril. Será, talvez, esta possibilidade de intervenção crítica, de discussão, de participação, de construção de um futuro à dimensão dos nossos desejos. Por isso, estas comemorações assumem, mais uma vez, um interesse renovado, pela necessidade de reivindicarmos sempre as promessas de desenvolvimento que Abril nos trouxe e uma vida melhor para todos.

Há sonhos adiados. De uma reforma tranquila, de um futuro promissor para os jovens, de emprego, saúde, educação e justiça para todos. Sonhos adiados que não podemos deixar que sejam sonhos traídos.

Nas primeiras eleições em liberdade, para a Assembleia Constituinte em 1975, mais de 90% dos portugueses foram às urnas, demonstrando uma confiança e um respeito pelos partidos políticos que, desde então, não para de diminuir, o que deveria preocupar os nossos agentes democráticos, ou seja os políticos.

Reconquistar a confiança dos Portugueses é o maior desafio que se coloca à classe política. Maior ainda é o desafio que se coloca a todos os Portugueses: acreditar, de novo.