Opinião – Juvenal Brandão, Treinador de Futebol UEFA Pro (Grau IV), Licenciado em Gestão de Desporto

Desde 1991 que a FIFA atribui o prémio de “Melhor Jogador do Ano”. Em 2009 houve uma alteração na sua denominação quando o organismo que gere o futebol mundial fez uma parceria com a revista francesa France Football (que por si atribuía o ”Ballon d’Or”), criando assim o “FIFA Ballon d’Or”. Em 2016, terminou essa parceria conjunta e a FIFA denominou o prémio de “The Best FIFA Football Awards”.

Esta segunda-feira 23/9, o argentino Lionel Messi foi considerado o melhor de 2018. O defesa central do Liverpool, o holandês Virgil van Dijk, ficou em 2º lugar e o português da Juventus, Cristiano Ronaldo ficou em 3º. Assim, Messi somou o 6º prémio da carreira, ultrapassando Ronaldo, que tem 5.

Desde 2007, quando Ronaldo tinha 22 anos e Messi 20, que os astros português e argentino entraram nas votações, tendo ficado em 3º e 2º lugar, respectivamente, nunca mais saíram do topo do futebol mundial e, por inerência destes prémios.

Ora vejamos a lista de vencedores desde essa altura:

2008 – Cristiano Ronaldo

2009 – Messi

2010 – Messi

2011 – Messi

2012 – Messi

2013 – Cristiano Ronaldo

2014 – Cristiano Ronaldo

2015 – Messi

2016 – Cristiano Ronaldo

2017 – Cristiano Ronaldo

2018 – Luka Modric

2019 – Messi

Impressionante o registo de Ronaldo e Messi. É um privilégio ter vivido na era destes enormes futebolistas.

Não sou defensor destas distinções individuais, mas havendo-as, costumo dizer que enquanto Messi e Ronaldo estiverem a este nível de rendimento, que devia haver o prémio de Melhor do Mundo para os dois. Outro futebolista só teria hipótese quando estes dois se retirarem; ou quando a FIFA se lembrar de inventar, como fez em 2018, atribuindo o galardão ao croata Modric.

Mas como é que se explica a uma criança ou a alguém que não perceba nada de futebol como é atribuído o Melhor do Mundo? O leitor conseguiria? Já se viu ser atribuído o prémio invocando os títulos colectivos das respectivas equipas e já se viu atribuir o prémio justificando com as estatísticas individuais (golos, assistências). No ténis o melhor é aquele que ganha a final; no atletismo o melhor é aquele que ganha a final, na natação o melhor é aquele que ganha a final. Mas estamos a falar de desportos individuais. E nos colectivos, o melhor também não é assim? As melhores, são as equipas que ganham! Mas porquê premiar individualmente nos desportos colectivos? Nunca entendi, mas pior que isso é não entender que Ronaldo e Messi tenham de ganhar sempre enquanto estiverem com este desempenho; ou que se diga que um é melhor do que outro. Pode-se gostar mais do estilo ou da personalidade de um do que do outro, mas serão, para mim, os melhores de sempre. Ao mesmo nível.