Opinião de Juvenal Brandão, Treinador de Futebol UEFA Pro (Grau IV), Licenciado em Gestão de Desporto

SOBRE FUTEBOL

Ser árbitro é muito difícil. Nós, treinadores, desempenhamos essa função em todos os treinos e vemos bem quão difícil é; ainda mais será em jogos oficiais, que decidem a vida de muita gente. Quem só vê futebol na televisão, terá mais dificuldades de entender. Os árbitros devem ser muito bem preparados e muito bem pagos.

Há árbitros de enorme qualidade. Que começam nos distritais. E já me cruzei com muitos talentos, nos jogos em que participei: uns deixaram a arbitragem (Luís Machado, Carlos Andrade, Valter Gouveia, Paulo Nunes, Pedro Barbosa, Carlos Dias… e Hélder Lamas, cidadão de Lordelo… árbitro e homem exemplar!); outros perdi-lhes o rasto (Bruno Linhares, Carlos Filipe Silva, João Santos); a maioria continua o seu percurso; e há quem já esteja na 1ª e 2ª Ligas. Destes, em actividade, não quero nomear para não me esquecer de ninguém – porque são muitos.

As fracas condições que lhes dão, o sistema injusto de avaliações de que são alvo e a forma absurda como são as quotas, que os impedem de subir de categoria, devem ser os principais motivos de desistirem, de não chegarem ao topo ou de demorarem muito a consegui-lo. Alguns deles até têm de mudar da Associação de Futebol do Porto para a de Vila Real, Guarda, Viseu e Bragança, por exemplo, para ascenderem à categoria Nacional, por ser mais fácil, o que comprova a qualidade dos filiados portuenses. Outros preferem deixar de ser árbitros principais e passam a árbitros assistentes para atingirem categorias superiores.

E porque é que à frente do nome do árbitro vem o nome da sua associação? A qualidade deve sempre sobrepor-se a qualquer outra condição. Não consigo entender este tipo de discriminação.

Percebo que os árbitros tenham que ter provas físicas e escritas (de ingresso ou aptidão), não concebo que as mesmas tenham grande (ou alguma) influência na sua avaliação final. Os árbitros têm que subir, manter-se ou descer de categoria apenas e só por aquilo que fazem dentro do campo. Isso não acontece.

Será que não há recursos para dar melhores condições financeiras aos árbitros? Será que não há recursos para dar melhores condições de treino aos árbitros? E será que não há recursos para os árbitros poderem ter observadores em todos os jogos? Sim, observadores. Os observadores não deviam ser apenas para dar “porrada” nos árbitros, mas acima de tudo para os premiar pelas muitas e muitas excelentes arbitragens. Não se esqueçam que não há futebol sem árbitros. E quanto melhores forem, melhor é o futebol. E sim, atrás disse bem – em todos os jogos!

E, depois, para clarificar tudo, porque só a transparência ajuda à boa imagem do sector e do futebol, as avaliações de todos os jogos (e as finais) deviam ser públicas.

Mas há mais coisas que deviam ser repensadas e melhoradas.