A importância dos relvados naturais na transição de júnior para sénior

SOBRE FUTEBOL Opinião de Juvenal Brandão, Treinador de Futebol UEFA Pro (Grau IV), Licenciado em Gestão de Desporto

A transição dos jogadores de futebol dos juniores para os seniores é um tema sistematicamente debatido. É um problema difícil de encontrar respostas. Quer sejam na transição dos juniores do Sporting para os seniores do Sporting, ou dos juniores do Paredes para os seniores do Paredes. No entanto os juniores do Sporting não estariam bem preparados para jogar nos seniores do Paredes?

Então como ultrapassar esta problemática?

É inegável que os clubes “grandes” ou os que têm melhores condições preparam melhor os seus jovens futebolistas. São várias as ferramentas que têm ao seu alcance e convenhamos que o poderio financeiro é fundamental: competência e formação dos seus treinadores, recursos físicos como relvados naturais, estruturas de apoio como ginásios, acompanhamento de psicólogos, podologistas e nutricionistas, suplementação, e uma coisa que no meu entender é fundamental – serem profissionais, ou seja, estarem a tempo inteiro dedicados ao futebol.

Mas na minha opinião, de entre a grande importância que todos estes aspectos têm, gostaria de me debruçar mais especificamente numa: os relvados onde treinam e jogam.

FC Porto, Benfica, Sporting, Vitória de Guimarães e Braga, por exemplo, têm as suas equipas a tempo inteiro a jogar e a treinar em relvados naturais. E este é para mim um aspecto decisivo, porque os relvados sintéticos são melhores que os pelados, mas os relvados naturais imprimem uma dinâmica única e adaptam os atletas para aquilo que vai ser o palco principal. Os clubes não podem querer estalar os dedos e tirar da formação jovens para os seniores quando não lhes proporcionam condições de evolução. É evidente que muitos clubes nem relvados naturais têm para as equipas seniores quanto mais para a formação. Mas não podemos querer tudo. Acima de tudo estamos a tentar perceber o que facilita a transição dos jovens e a adaptação a um escalão completamente diferente (sénior).

Agora, com os procedimentos adoptados pela Federação Portuguesa de Futebol, que avalia época a época os clubes formadores, na minha opinião não devia ser possível a atribuição da nota mais alta (cinco estrelas) a clubes que não dispusessem, por exemplo de relvados naturais para treinos e jogos das equipas de juniores.

Mas eu nunca fui muito favorável a que tenham de ser terceiros a definir o que é bom ou mau. Quero dizer que não devia ser necessário uma entidade como a FPF regular tal necessidade mas sim os próprios responsáveis dos clubes a entenderem-na. Da mesma forma que não percebo que a FPF ou a AF Porto coloquem restrições a nível de idades – porque têm de ser os clubes a definir o seu próprio caminho.

Em suma, está na hora dos clubes levarem as suas camadas jovens mais a sério e fazerem disto um sério investimento e não apenas um custo e tentar aturar areia para os olhos dos adeptos. Porque é o que se faz sistematicamente.