SOBRE FUTEBOL, Por Juvenal Brandão, Treinador de Futebol UEFA Pro (Grau IV), Licenciado em Gestão de Desporto

Há regras e imposições com que não concordo no futebol. Se por um lado sou um acérrimo defensor da aposta nos jovens portugueses, por outro lado, faz parte das minhas convicções que não devemos olhar a idades nem criar zonas de conforto para os atletas. Devem, na adversidade, na dificuldade, ultrapassar preconceitos instituídos no futebol e lutar pelas suas oportunidades.

Para que o leitor fique por dentro, diz a Federação Portuguesa de Futebol que “jogador formado localmente é aquele que, entre os 13 anos, ou no início da época desportiva em que atinge essa idade, e os 21 anos, ou no termo da época desportiva em que atinge essa idade, independentemente da sua nacionalidade e idade, esteve registado por clubes integrados na FPF, de forma continuada ou interpolada, por 3 épocas desportivas completas ou por 24 meses” (artigo 59 do regulamento da FPF). Ou seja, um argentino que esteja inscrito num clube em Portugal em provas federadas dos 16 aos 19 anos, por exemplo, a partir dos 19 anos contará como jogador formado localmente, mesmo sendo argentino.

Na 1ª e 2ª Ligas, está regulamentado que cada plantel (máximo de 27 jogadores), deve incluir pelo menos 10 ou 8 jogadores formados localmente (dependendo se os clubes têm equipa B ou não) e ainda 3 jogadores com idade até 23 anos. Nas fichas de cada jogo, os clubes da 2ª Liga estão obrigados a incluir 3 jogadores formados localmente e um sénior até 23 anos (que pode ser um dos 3 referidos atrás), e o clube que, naquele jogo, não consiga cumprir estes requisitos está obrigado a reduzir o número de jogadores na medida do incumprimento.

No Campeonato de Portugal a FPF obriga os clubes a inscrever e fazer constar na ficha de jogo pelo menos 12 jogadores formados localmente, independentemente do seu estatuto.

A Associação de Futebol do Porto obriga os clubes a inscrever nas fichas de jogo 12 jogadores formados localmente e ainda 3 sub-21, sendo que estes últimos podem estar inseridos nos 12 anteriores.

Como se vê, os organismos que tutelam o futebol português, desde competições profissionais, até às distritais, seguem a mesma convicção. Não a entendo. Repare-se que não há limite de estrangeiros; criam aqui o estatuto de jogador formado localmente que possibilita jovens estrangeiros “contar como” portugueses (por via de serem formados localmente); e criam obrigatoriedade de constar em fichas de jogo jogadores sub-21 e sub-23 criando-lhes zonas de conforto.

Há quem diga que os sucessos das selecções nacionais têm a ver com estas regras. Para mim não têm e podemos falar disso num próximo artigo. Para mim isto é uma questão de modas, de ideologias, de se querer dizer que Portugal é um país formador. Vejo isto como atirar areia para os olhos.

Em qualquer contexto, para se ter 3 sub-21 em cada jogo, equacionando lesões e castigos, quantos seriam precisos num plantel? E quantos precisam de se esforçar para integrar a convocatória? Estamos a promover desenvolvimento? A promover esforço e dedicação?

Eu acabava com estas regras. Acima de tudo, defendo que os Clubes é que devem definir as suas políticas desportivas, ou seja, e entre outras coisas, se apostam em jogadores com mais idade ou com menos idade. A única coisa que me parece que possa haver são prémios, e não castigos, pela aposta em jogadores portugueses.

Opinião publicada na edição de 19 de junho. Assine o Jornal O Progresso de Paredes e receba em sua casa informação de qualidade como este artigo. Ajude o jornal da sua terra.