A simpatia conta muito num negócio

Lucinda Rocha é hoje uma mulher realizada. Sempre sonhou tirar o curso de cabeleireira, mas a doença da filha inverteu as prioridades e adiou-lhe os projetos. A determinação fê-la ultrapassar todas as dificuldades e arriscar aos 41 anos. As dificuldades da filha em arranjar emprego e a sua paixão pela área da estética foram para esta empresária a peça que faltava para dar o passo. Há 8 meses que dirige o salão de cabeleireiro e estética com a filha e, apesar da crise, Lucinda garante que o negócio vai crescendo.

“A simpatia conta muito num negócio. Sem isso a cliente não vem e é assim que tentamos evoluir, dando sempre o nosso melhor”. Esta é a filosofia de uma empresária que apesar de gerir um negócio há pouco mais de 8 meses já tem bem definida a estratégia para conquistar os clientes. Lucinda Rocha sabe que a simpatia é a melhor forma de fazer crescer o seu negócio, mas também não esquece que os preços são essenciais para fidelizar. A simbiose entre a qualidade, a simpatia e os preços atrativos é a base do salão de cabeleireiro e estética ‘Kapa R’, e a grande aposta para o crescimento do negócio.

“As clientes procuram preços razoáveis principalmente, mas a qualidade dos produtos também é muito importante. Todo o material que usamos aqui é bom e procuramos sempre dar o preço mais acessível para que o cliente volte. Não é um salão ‘low cost’ mas tem preços muito acessíveis”, garante.

 

“Em pouco tempo consegui fazer uma boa casa e ter clientes certas”

Lucinda Rocha conta que o seu grande sonho sempre foi tirar um curso de cabeleireira, mas que a doença da filha a impediu de perseguir esse sonho. Doméstica e com o marido no estrangeiro, Lucinda arriscou num negócio próprio não só para trazer rendimentos para casa, mas principalmente para satisfazer um sonho pessoal e os desejos da filha que, devido à doença, não conseguia arranjar emprego.

“O meu sonho sempre foi ser cabeleireira. Como não consegui, resolvi abrir um salão também por causa da minha filha. É doente oncológica e para arranjar trabalho é muito difícil. Ela decidiu fazer um curso de estética e, por isso, o objetivo foi aliar o meu sonho ao dela”, garante, acrescentando, “como estávamos sozinhas porque o meu marido trabalha fora, tivemos de decidir. Tinha de entrar dinheiro em casa. Resolvi investir as minhas poupanças e abrir este salão”.

Tem neste momento a trabalhar consigo a irmã, a filha e uma funcionária. Destes 8 meses Lucinda faz um balanço positivo, mas não esconde que o negócio já esteve melhor. “Já esteve melhor, mas não me posso queixar. Em pouco tempo consegui fazer uma boa casa e ter clientes certas”.

Apesar da forte concorrência a empresária garante que não lhe fazem sombra. Preferiu abrir o salão fora do centro da cidade e até hoje não está arrependida. “Tive medo na altura que abri porque aqui em Paredes há muita concorrência. Mas este sítio foi bem escolhido porque consegui trazer muitas clientes do prédio. Quem gosta de cá vir não deixa de o fazer porque temos sempre o melhor preço e qualidade nos serviços”.

Admite que as clientes hoje procuram mais os preços baixos, mas garante que nunca deixam de parte a qualidade. Lucinda Rocha procura sempre estar atenta às novidades. A estratégia para atrair novos clientes passa pelas promoções mensais e pela diversificação dos serviços.

“Para ter os preços baixos também é preciso ter qualidade. E estar sempre a evoluir e a acompanhar as tendências e os novos produtos. Aposto nas promoções todos os meses. Tenho sempre descontos ou nas unhas de gel, nos cortes ou nas tintas. E tem resultado porque é mais vantajoso e para mim e uma boa forma de ir conquistando a cliente”.

 

“Aposto nas promoções todos os meses”

Para além do salão de cabeleireiro tem ainda serviços de estética, como unhas de gel, manicura e pedicura, depilação, entre outros. E porque ter um negócio exige constante evolução, Lucinda Rocha pensa já em aumentar o espaço e os serviços do seu salão de beleza.

“A minha filha está a tentar tirar mais cursos. No futuro queremos fazer limpezas de pele e massagens com pedras quentes. Aos bocadinhos o objetivo é tornar o espaço melhor e ter mais oferta para as clientes. Vamos ouvindo o que nos pedem e tentando ir ao encontro do que procuram”.

Como empresária garante que as grandes dificuldades em gerir um negócio são os encargos fiscais. Ainda assim, Lucinda assume que o mais importante é pensar positivo. “Uma das grandes dificuldades de todos os negócios hoje é a falta de poder de compra. Mas a carga fiscal é enorme e não é fácil manter uma casa aberta. Pagamos muito ao Estado e à câmara, sem saber se temos retorno”.

 

“Não é um salão ‘low cost’ mas tem preços muito acessíveis”

A empresária afirma que deviam ser dadas mais facilidades a quem quer arriscar e criar novas empresas já que seria uma boa forma de gerar emprego. “É um exagero o que exigem aos empresários. Deviam facilitar mais a vida a quem quer arriscar, porque de outra forma poucos têm dinheiro para o fazer. Para além disso é uma boa forma de incentivar a criação de emprego”.

Lucinda Rocha vai continuar a apostar no melhor atendimento para os seus clientes. Quanto ao futuro a empresária garante que irá sempre pensar positivo e acreditar que o país irá mudar. “É preciso ter coragem para arriscar e hoje acho que consegui realizar o meu sonho. Está, até hoje, a funcionar bem e sinto-me realizada”.