Até agora tive uma ótima recetividade

Joana Navega tem 25 anos e abriu há cerca de 2 meses uma loja de perfumes de marca branca. O conceito não é novo em Portugal, mas é a primeira marca branca de perfumes totalmente fabricada no nosso país. Neste momento já existem 8 lojas, 4 na região do Vale de Sousa, mas a de Paredes foi uma das primeiras a ser inaugurada. Apesar de estar aberta há pouco tempo, Joana garante que a recetividade tem sido muito boa.

Joana Navega sempre quis ter um negócio próprio e nem mesmo o emprego fixo a fez desistir dum sonho que já vinha crescendo há algum tempo. Apesar da crise que afeta grande parte do comércio no país, a jovem paredense não deixou esmorecer o sonho e seguiu com o seu projeto. Conheceu o conceito da marca branca de perfumes Clone e decidiu arriscar.

“Sempre trabalhei na área do comércio. Sabia que queria abrir algo meu, mas não tinha ideia do que seria em concreto. Inicialmente tinha pensado numa loja de roupa, mas não se proporcionou” conta a jovem, acrescentando, “quando estava para desistir da ideia conheci as marcas brancas de perfumes e esta marca, a clone. Gostei do conceito e decidi que seria um bom investimento”.

 

“Quem compra a primeira vez volta e isso é muito bom”

Tal como o próprio nome indica os perfumes são praticamente ‘clones’ dos originais. A principal diferença em relação às grandes marcas está no preço, que é significativamente mais acessível. A gerente da loja em Paredes garante que os perfumes da sua loja mantêm a intensidade e a fragrância dos originais, a um preço inferior, e os clientes, depois de conhecerem o conceito, ficam a gostar.

“A intensidade dos perfumes faz-me garantir que são praticamente iguais aos originais. São mesmo perfumes e não água de toilete. Têm uma duração exatamente igual a um original. A maior parte das pessoas tem preferido comprar um perfume destes. Quem compra a primeira vez volta e isso é muito bom”.

Joana Navega é confiante no valor da marca que vende e garante que, ao contrário do que acontece com as originais, ali o cliente paga apenas o perfume. “Cerca de 80% do valor que uma pessoa paga por um perfume original é para a embalagem ou para o frasco. Aqui não, as pessoas pagam apenas o perfume e se podem adquirir um quase igual ao original e a um preço muito mais acessível, porque não? É por aí que marcamos a diferença”, sustenta.

 

“Tem dias melhores e piores, mas até agora tem corrido muito bem”

Mas não é apenas o preço, que varia entre os 15 e os 25 euros, que marca a diferença destes perfumes. Para Joana Navega os seus produtos superam os da concorrente espanhola, equivalenza, principalmente na qualidade.

“É uma marca 100% portuguesa. Tudo é produzido em Portugal, desde o perfume à embalagem e é a única marca branca portuguesa de perfumes neste momento. Há outras marcas com um conceito semelhante, que não são portuguesas, como por exemplo a equivalenza. Mas esses perfumes não têm a mesma intensidade dos originais e as pessoas acabam por ficar desiludidas. A concorrência pode ser mais barata, mas a Clone marca pela diferença na qualidade”.

 

“A Clone marca pela diferença na qualidade”

Apesar do negócio atravessar dias bons e a recetividade dos clientes ter sido “ótima”, Joana não esconde que muitos ainda ficam reticentes em conhecer o espaço. Isto porque a jovem empresária quis apostar numa imagem cuidada e elegante que deixa por vezes os clientes com a ideia de que os preços são elevados.

“Nas primeiras semanas após a abertura tive uma ótima recetividade. Tem dias melhores e piores, mas até agora tem corrido muito bem. Por norma as pessoas ainda ficam um pouco reticentes a entrar na loja porque olham para o aspeto e pensam que é tudo muito caro, mas de facto o que tenho aqui dentro é muito mais barato do que o que as pessoas pensam”.

Na opinião desta jovem, para além da redução do poder de compra a crise fez disparar a concorrência e as estratégias para cativar os clientes tornaram-se mais agressivas. Ainda assim e apesar de sentir as consequências da falta de dinheiro das famílias, a jovem sustenta que tem corrido bem dentro dos possíveis e que a estratégia passa pela aposta no bom atendimento e na simpatia.

“A crise tem afetado um bocadinho o negócio porque isto não é um bem essencial. Desde o atendimento ao cuidado com os clientes tudo é importante num negócio, mesmo as pequenas coisas. Tento cativar ao máximo e a melhor publicidade para mim é o passa palavra”.

 

“Gostava de abrir mais uma loja”

Para já Joana Navega vai pensando em conquistar clientes certos, mas tem a ambição de abrir uma segunda loja. Não esconde as dificuldades que um jovem empreendedor sente atualmente para levar em frente um projeto, mas mantém-se confiante de que o futuro lhe trará a recompensa pelo risco.

“Senti receio de arriscar neste negócio e fui um bocadinho contra aquilo que me foram dizendo. Abrir um negócio hoje é muito complicado e é preciso ponderar tudo. Mas não tinha muito a perder e decidi mesmo arriscar. Para já sinto que foi um bom passo, mas vamos ver como as coisas correm no futuro”, garante Joana, acrescentando “espero que este negócio cresça e gostava de abrir mais uma loja igual. Mas primeiro tenho de fazer a minha casa e garantir os meus clientes certos e só depois pensar em projetos mais ambiciosos”.