O campeonato de futebol terminou e o União de Paredes após um breve período de férias começou já a preparar a próxima época. Manuel Cardoso volta a apostar em Calica para liderar a equipa sénior unionista. Para o jovem treinador de 35 anos, formado nas escolas do U. Paredes, a prioridade é continuar a praticar bom futebol para garantir a conquista de pontos. Calica traça um balanço positivo da época do U. Paredes e afasta a prioridade do regresso aos nacionais.  

Qual o balanço desta última época do União de Paredes?

Acho que foi uma época muito positiva. Os objetivos iniciais e finais foram sempre a manutenção e foram garantidos. A certa altura sentimos que podíamos fazer algo mais. O segundo lugar podia dar acesso à subida de divisão. Nós tentamos alcançar esse objetivo, não como uma prioridade, mas sim como algo que viria tornar ainda melhor a época. Fizemos de tudo para alcançar, mas infelizmente na última jornada não conseguimos. Ainda assim, não deixamos de estar satisfeitos por aquilo que fizemos.

A subida de divisão não era uma prioridade?

Se tivéssemos conseguido garantir a subida seria um prémio extra para a equipa e para o clube. Temos de ter consciência da realidade do clube neste momento, a realidade e os orçamentos das outras equipas. O União de Paredes entrou numa fase de restruturação, para tentar pôr as contas em dia.

Foi-nos pedido para encararmos esta época jogo a jogo e promover os jogadores da formação. E foi isso que fizemos. Dos 22 jogadores da equipa sénior 17 passaram pela formação do U. Paredes. Se calhar somos caso único a nível da Associação de Futebol do Porto e até a nível nacional. Isso deixa satisfeita tanto a equipa técnica como a direção e penso que todos os paredenses.

Alcançar o 3.º lugar só me deixa orgulhoso. E só tenho a agradecer aos jogadores, que são os principais obreiros deste feito. São eles que fazem os resultados. Eu e a equipa técnica tentamos ajudar durante a época, mas são eles que marcam golos e dão tudo dentro de campo. O terceiro lugar acabou por ser muito bom e importante para o clube.

Mas então o que é que correu mal nas últimas jornadas?

A pressão, ansiedade e a vontade de ganhar a todo o custo fez com que não conseguíssemos lidar com tudo. Sabíamos que na última jornada não dependíamos só de nós para chegar ao segundo lugar. Dependíamos de outros resultados e mesmo se tivéssemos alcançado a vitória no último jogo o resultado não nos fazia subir à segunda posição.

Ao longo das 38 jornadas do campeonato houve pontos que podíamos ter conquistado e não conquistamos, mas o futebol é assim mesmo. Agora não há que olhar para trás e ficar com o sentimento de que podíamos ter feito mais aqui ou ali. Na realidade cada um de nós podia ter feito um bocadinho mais, mas fomos honestos e profissionais e demos tudo pela camisola que envergamos.

 

“Se tivéssemos conseguido garantir a subida seria um prémio extra”

Foi um campeonato difícil, mais exigente?

Sim, mas o U. Paredes está habituado a jogar nos nacionais. No primeiro ano que jogou nos distritais não foi nada fácil a adaptação à realidade do campeonato, mas depois fomos evoluindo com jogadores muitos jovens e outros com mais experiência, que no fundo são pilares fundamentais da equipa. Fomos conseguindo que todos fossem evoluindo e ao longo do campeonato os resultados foram aparecendo naturalmente.

Técnico garante que a subida aos nacionais não é uma prioridade para o clube na próxima época

Técnico garante que a subida aos nacionais não é uma prioridade para o clube na próxima época

Vai continuar como treinador do U.Paredes?

Sim este projeto é para continuar. A direção manifestou interesse em que continuasse e como o U. Paredes tem um projeto viável e, penso eu, com futuro vou continuar a trabalhar para o clube progredir. Também quero crescer e chegar mais acima por isso trabalho dia a dia para tentar ajudar os jogadores a chegar a domingo e estar bem no jogo. Porque é esse desempenho que determina o sucesso da equipa e o sucesso do treinador.

Não interessa andar aqui a trabalhar muito se depois não ganhamos, porque no futebol os resultados acabam por ser o mais importante. Mas acredito num bom futebol e acredito que as equipas que jogam bem estão mais perto de ganhar. E é nisso que os jogadores e a direção acreditam. Neste clube tentamos praticar um futebol bonito e agradável para aqueles que vêm assistir aos jogos. E onde possamos promover os nossos jogadores para que estes cheguem a patamares mais altos.

Para um treinador e para um clube é sempre uma satisfação muito grande ver jogadores que passaram pelo U. Paredes a jogar em clubes da primeira divisão.

Mas recebeu convites para treinar outras equipas?

Recebi outros convites, mas não achei que os projetos fossem mais ambiciosos do que o do U. Paredes. E por esse mesmo motivo não ia abandonar as pessoas que precisamente apostaram em mim.

 

Quais são os objetivos para a próxima época?

Os objetivos são os mesmos, assegurar a manutenção. Temos de encarar a realidade do clube. Já se falam por aí dos projetos de algumas equipas com orçamentos que nós nunca podemos suportar. É óbvio que não podemos lutar contra essas equipas, mas nada disso nos deixa desmotivados. Continuamos a dar o nosso melhor no dia-a-dia e batemo-nos de igual para igual.

 

“Os unionistas podem contar com uma equipa ambiciosa na próxima época”

Vai manter a aposta num plantel forte e sobretudo com jogadores da formação?

Ainda estamos a conversar relativamente aos jogadores, mas a aposta do U. Paredes na formação vai continuar porque esse é o lema deste clube. Apostar em jogadores competentes, competitivos e que queiram evoluir. E eles também têm de ser ambiciosos e mostrar vontade de estar neste clube e provar que o merecem.

Se os jogadores quiserem continuar vamos manter grande parte do plantel e equilibrar algumas falhas com reforços. Temos alguns jogadores em vista, mas a prioridade é sempre continuar a apostar nos jogadores da casa.

Há muitos jogadores de fora que gostavam de vir jogar para o U. Paredes pela forma como valorizamos os jovens, os ajudamos a crescer e a chegar a outros patamares.

Essa tem sido a aposta do clube há já alguns anos e há muitos interessados nos jovens que são formados no U. Paredes, desde Paços de Ferreira, Penafiel, Freamunde, que são clubes da primeira divisão. Não podemos por lei agarrar os jogadores e para nós também é um orgulho ver que têm talento e conseguem alcançar objetivos mais altos.

Muitos ainda pensam duas vezes antes de sair porque olham para o caso de outros colegas que saíram para ter a oportunidade de jogar nas equipas séniores e acabaram por não ter essa oportunidade.

O U. Paredes é visto pelos clubes aqui da região como um exemplo ao nível da formação e isso quer dizer que estamos a fazer um bom trabalho. Só nos deixa orgulhosos.

O U.Paredes vai perder esta época dois jogadores fundamentais para a equipa: Quim Ferraz e Adriano…

Os bons jogadores fazem sempre falta num clube. O Adriano estava há duas épocas no U.Paredes e era um exemplo em campo e uma motivação muito grande para os colegas, até pela experiência que tem na primeira liga. Mas sofreu uma lesão grave e foi obrigado a abandonar.

O Quim já está connosco há mais anos, mas achou que era o momento oportuno para deixar o futebol, devido à idade. Como treinador e amigo de há muitos anos sinto-me satisfeito por os ter treinado no último jogo das suas carreiras. Só tenho a agradecer pela dedicação e trabalho, pela época fantástica que fizeram e por toda a ajuda que me deram.

 

“Sei o valor das minhas competências e quero muito mais”

 Os unionistas podem contar com uma equipa determinada e de alta qualidade?

É mesmo isso. Acima de tudo uma equipa determinada. Na última época trabalhamos muito e mostramos sempre ambição em querer chegar mais longe. É com isso que os unionistas podem continuar a contar. Vai ser uma equipa ambiciosa, que vai privilegiar o jogo positivo e a posse de bola. Temos um grupo forte e coeso e vamos dar tudo por tudo para manter o mesmo nível que conseguimos alcançar estar época.

Uma boa época seria conquistar o regresso aos nacionais?

Não podemos estar a traçar objetivos para o final da época. O campeonato é muito longo e temos de ir jogo a jogo. Só no final é que fazemos as contas. Estar agora a dizer que o nosso objetivo é conseguir a subida não é certo porque temos uma equipa muito jovem e estamos a colocar muita pressão sobre os jogadores.

Quais são as suas ambições como treinador?

Ainda sou muito jovem e ambicioso. Sei o valor das minhas competências e quero muito mais, mas vou pensando um dia de cada vez. Sei que com trabalho e determinação vou chegar às ligas profissionais.

O U. Paredes foi muito importante para mim e para o meu crescimento enquanto jogador e treinador. Agradeço às pessoas que me deram oportunidade de ser treinador desta equipa com 35 anos. Quando um dia sair essas pessoas vão certamente ficar orgulhosas por aquilo que consegui, por ser um treinador da terra que o clube ajudou.

Não é tão fácil como para um jogador conseguir alcançar melhores patamares, mas vou dar o meu melhor e sei que vou conseguir. Tenho-me preparado todos os dias para quando a oportunidade chegar.

 

“Temos um grupo coeso e forte e vamos dar tudo por tudo”

O trabalho que tem desenvolvido no U. Paredes deixa-o orgulhoso?

Tenho uma ligação muito forte aos treinadores da formação, participo em todas as reuniões e trabalhamos todos juntos, discutimos o jogo e as ideias. Isso ajuda muito tanto o futebol da equipa sénior como da formação. Cada um tem a sua ideia de jogo e eu tenho a minha, mas gosto sempre de ouvir o que os outros treinadores têm a dizer porque temos objetivos comuns. Tem sido fantástico ver que esta dinâmica de trabalho tem tido êxito.

Quer deixar alguma mensagem aos jogadores que vão deixar o U. Paredes?

Quero deixar um agradecimento aos jogadores mais velhos pelo que deram ao clube e aos mais jovens pelo empenho, ambição e competência que demonstraram ao longo da época.