SOBRE FUTEBOL

Opinião de Juvenal Brandão, Treinador de Futebol UEFA Pro (Grau IV), Licenciado em Gestão de Desporto

Coisas difíceis de entender – parte 2

  1. Não conheço João Santos. Era o treinador do Vilaverdense, equipa de Braga, participante no 3º escalão do futebol português. É treinador há mais de 10 anos, tem 33 anos e um percurso muito interessante, tendo na última época, por exemplo, conseguido a subida de divisão da sua equipa. Esta época, empatou o 1º jogo do campeonato e venceu a 1ª eliminatória da Taça de Portugal, ambos fora de casa. No dia seguinte foi despedido pelos novos investidores do clube de Vila Verde.
  • É precisamente no Vilaverdense que se deu mais uma das muitas histórias que temos visto ultimamente (e quase todas elas a correr mal, não é CD Aves?!). Uma parceria com o grupo canadiano LANK, que promete revolucionar o clube, levou até à mudança das cores e do emblema. Oxalá corra tudo bem… Tão bom que era haver maior critério na aceitação dos investidores no futebol e a sua responsabilização por eventuais dívidas e falências.
  • Aliás, no futebol era muito bom que as direcções fossem obrigadas a deixar o clube sem dívidas. Quase todos dirão que é impossível. Admito a utopia.
  • Tiago Mendes foi o primeiro treinador a abandonar o comando técnico na 1ª Liga esta temporada. Segundo foi público, por discordar da política de contratações. Na hora da mudança, o presidente Pinto Lisboa criticou-o fortemente alegando que teve medo e não se sentiu preparado para tão grande desafio. Pois é, mas da mesma forma que os dirigentes continuam a despedir os treinadores a torto e a direito, os treinadores também podem pedir para sair. Foi sensato e não ficou à espera de um despedimento que lhe valesse indemnização. Eram escusadas as críticas públicas. Se tudo fosse mais regulado as coisas podiam melhorar.
  • A propósito dos treinadores, alguém percebe como é que se regula a actividade dos treinadores (cursos exigidos para treinar) e depois se contorna a lei? Eu continuo sem entender. Se o treinador principal da 1ª Liga tem de ter o Grau IV como é que os vemos a comandar uma equipa? Colocando no papel como adjuntos ou delegados? Isso é fazer passar toda a gente por patetas. Haja fiscalização. É tão fácil de comprovar…

Nota: na edição anterior referi o facto dos ingleses do Arsenal terem despedido o homem por detrás da mascote do clube, alegando redução de despesas, quando, em contraponto, praticam salários astronómicos com os seus jogadores. Convém agora referir, para que a história fique actualizada, que o jogador alemão Mesut Ozil, solidário com o despedimento da “mascote”, se disponibilizou para lhe pagar os salários enquanto fosse jogador do clube. Magnífico.