SOBRE FUTEBOL

Juvenal Brandão, Treinador de Futebol UEFA Pro (Grau IV), Licenciado em Gestão de Desporto

Coisas difíceis de entender

  1. Não discuto os motivos dos estádios de futebol em Portugal não poderem ter público. Mas é discutível não haver e todos os outros eventos, com touradas e cinemas à cabeça, terem autorização. Ou há para todos ou para nenhum. Ainda por cima o futebol tem dado grandes exemplos de organização em tempos de pandemia. Os Açores têm sido exceção e o Fontinhas-Estrela (CdP) foi o primeiro jogo a ter; o Santa Clara-Gil Vicente o primeiro das ligas profissionais. Seguem-se os jogos de seleção e já há mais dois da 2ª Liga com autorização para ter 10% da capacidade.
  2. O não adiamento do jogo da Liga Italiana entre Juventus e Nápoles, no fim-de-semana passado é qualquer coisa de inacreditável. A equipa de Ronaldo tinha casos de covid e vários em isolamento, mas pior era na equipa napolitana, que foi até desaconselhada pelas autoridades de saúde locais a viajar até Turim. A federação não desmarcou o jogo, a Juventus e a equipa de arbitragem estiveram presentes, mas o Nápoles não apareceu e perdeu na secretaria por 3-0.
  3. O investimento em qualquer tecnologia é elevado como comprovou o que foi feito no VAR. Em Inglaterra, por exemplo, há ainda a da linha de baliza. Mesmo que cá não haja para já, não entendo como, com tantas câmaras e todos os jogos da 1ª e 2ª Liga televisionados, que não haja na linha de baliza.
  4. Alguns treinadores vão mostrando a sua indignação publicamente, mas de pouco vale. Ainda por cima são treinadores de 2ª Liga e a visibilidade é pouca. Desta vez é o calendário sobrecarregado neste início de época, com jogos a meio da semana, feito pelos entendidos, nos gabinetes, que mostra, ano após ano, decisão após decisão, que enquanto os treinadores não forem envolvidos nestas decisões desportivas o futebol só tem a perder.
  5. Portugal teve nos últimos tempos uma grande evolução em termos de organização no futebol. A logística de um jogo profissional é, hoje em dia, complexa e que um simples adepto desconhece. O próprio uso dos equipamentos das três equipas é definido previamente. Mas não se entende quem manda os árbitros vestir determinadas cores, a maior parte das vezes desajustada com as equipas do jogo em questão. Será assim tão difícil ainda por cima quando os árbitros têm tantas cores por onde optar?
  6. Ninguém gosta de ouvir e ver que os clubes são incumpridores com os seus compromissos. Os salários em atraso indignam os adeptos dos próprios clubes e revoltam os adversários que clamam justiça desportiva. É estranho que alguns clubes consigam sempre inscrever-se ano após ano. A FPF tem prometido não pactuar com isso mas o que é certo é que ainda esta época foram admitidos clubes sem o adepto entender. O Fátima e o União da Madeira são os maiores exemplos.
  7. Noticiaram esta segunda-feira o “Telegraph”, o “The Sun” e o “Daily Mail” que o Arsenal despediu o homem por detrás da mascote, função que desempenhava há 27 anos, como parte de redução de custos. No mesmo dia contratou o jogador Thomas Partey ao Atlético Madrid por 50 milhões de euros. Já no início de Agosto, o clube londrino tinha prometido aos jogadores que se aceitassem reduzir os salários estavam a ajudar a evitar despedimentos – medida aceite. Mas dias depois, numa nota assinada pelo gestor e pelo diretor desportivo, anunciaram o despedimento de 55 funcionários de forma a “competir ao mais alto nível” e contrataram Willian a custo zero ao Chelsea mas a ganhar 240 mil euros por semana. Os “gunners” têm vários jogadores com salários do género como, por exemplo, Ozil que aufere 388 mil euros por semana! Por semana!