Por Paulo Silva, Professor

O mês de Abril é o mês em que autarquias locais, Juntas e Câmaras Municipais apresentam e votam os seus relatórios de Contas do ano anterior.

Primeira grande constatação ao analisar o relatório do ano de 2015 é que finalmente a diferença entre o que havia sido estimado no orçamento para 2015 e o realizado subiu ligeiramente face aos anos anteriores, o que prova que a luta travada ao longo dos anos pelo PS Paredes, contra os orçamentos altamente inflacionados está  a dar o seu resultado.

As sucessivas denúncias do PS sobre os orçamentos altamente inflacionados apenas com a intenção de iludir os Paredenses e os credores, obrigaram o atual executivo a ser mais cuidadoso na elaboração do orçamento, fazendo um orçamento mais próximo da realidade do Concelho de Paredes.

Em Paredes a tradição era elaborar orçamentos de milhões e depois executar cerca de 30 a 35% do previsto (exceto em ano eleitoral, aí a execução costuma subir o 65%), esta aproximação entre o orçamentado e o realizado (mesmo assim Paredes apresenta uma taxa de execução baixa comparada com os concelhos vizinhos) reflete a maior transparência de contas que resultou da não inclusão de montantes fantasma que denunciámos e que, durante décadas, minaram e adulteraram as contas do município, como era o caso da venda de património, que ano após ano era anunciado como uma das maiores fontes de receita, mas que acabou por ser sempre uma ilusão.

Outro dado relevante que sobressai na análise do relatório de contas é o facto de que todas as áreas que são consideradas essenciais ao desenvolvimento económico e social do concelho conhecem uma execução tão exígua que nos leva a concluir que vai uma distância cada vez maior entre o que o executivo PSD propala e o que executa. É de destacar, a este propósito, os níveis baixíssimos de execução da Cultura, apoios sociais, rede viária, espaços verdes e ambiente. Em todas estas áreas a execução orçamental baixou dramaticamente

É importante também relembrar que a Câmara Municipal de Paredes volta a apresentar Resultado Negativo no exercício de 2015 no montante de 3 Milhões de euros.

A divida da Câmara continua em valores elevadíssimos. O Passivo conhecido da Câmara Municipal de Paredes é no final de 2015 superior a 100 milhões de euros, embora o PSD tente vender a ideia que é de cerca de 60 milhões, esquecendo-se de somar a este valor os 40 milhões que diz ter a receber de projetos financiados pelos fundos comunitários, mas a verdade é que inda não recebeu, nem tem previsão de quando vai receber, nem se vai mesmo receber.

As contas da Câmara  Municipal continuam de tal forma desequilibradas, que a Câmara continua à espera do visto do Tribunal de Contas para a realização de mais um empréstimo de saneamento financeiro no valor de 11.761.348,00 Euros a 14 anos.

O que prova que o milagre financeiro em Paredes, não deixa de ser uma Ilusão montada por Celso Ferreira com o apoio da sua equipa.

Isto é tanto mais grave, quanto as grandes obras realizadas no mandato passado foram os Centros Escolares que tiveram subsídios a fundo perdido na ordem dos 85% e durante o atual mandato não se realizaram obras dignas dos gastos anunciados.

O concelho assemelha-se a uma bola de queijo suíço, com as suas estradas todas esburacadas, algumas das escolas recentemente inauguradas estão já a precisar de obras, não vemos nenhuma obra de grande envergadura a nascer em nenhuma das nossas freguesias, por isso pergunto, como é possível um prejuízo de 3 milhões?