Do céu ao inferno num ápice

“Agora que viemos embora do Brasil e a Troika foi embora de Portugal, temos que ficar mais 4 anos à espera, uns de voltar ao Mundial e outros de ver o país recuperar, alguns jogadores já não vão participar e alguns políticos as chuteiras vão dependurar, todos contrariados, mas é a vida”.

Estamos em época de mundial de futebol, que desta vez se está a realizar no nosso país irmão, o Brasil, onde a nossa seleção teve uma prestação de acordo com o momento que estamos a atravessar, uma profunda crise de resultados, onde as ilusões passaram a lesões e as ambições a tristezas, provocando assim um grande desgosto aos portugueses que gostam do fenómeno futebolístico e aos vendedores de bandeiras e cachecóis, que viram assim o seu negócio terminar de uma forma abrupta e com fraco proveito económico.

Depois do milagre, protagonizado pelo ”são” Ronaldo, na Suécia, todos entramos em euforia, éramos os maiores, nada nos podia parar e para a frente é que era caminho, a taça de Campeões do Mundo estava mesmo ali à mão de semear, igual estado de euforia, só me lembro no tempo do “são” Cavaco, quando o dinheiro de CEE entrava pelas portas dentro, tudo nos era permitido sonhar, íamos ser outra vez os conquistadores do mundo.

A seguir veio a convocatória, e alguns que poderiam fazer a diferença, só porque eram mais irreverentes, logo imprevisíveis, porque não obedeceriam cegamente ao chefe, e certamente colocariam em causa a estratégia por si delineada, ficaram em casa para não desautorizarem quem manda, privando as nossas cores de, em momentos complicados, contar com o engenho e a arte de quem pode resolver e inverter a má sorte, tal como os políticos, aqueles que poderiam realmente fazer a diferença, mas que supostamente não obedeçam cegamente ao chefe, não são convidados para cargos governativos, porque quem tem o direito de brilhar é quem manda.

Quando começamos a competir, e aparecem os desaires, logo começaram as justificações, o tempo, o cansaço, a má sorte, tudo serve para justificar o fracasso, ficamos arredados dos lugares cimeiros, mas o  chefe não se demite, porque os fatores externos é que são responsáveis pelo mau desempenho, quem mandava era bom, os jogos foram bem disputados, em suma, não jogamos como nunca, mas perdemos como sempre, no futebol faltam os resultados, aos governantes falta o dinheiro, a seleção veio embora com o saco cheio de bolas, o governantes vão pedir sacos cheios de dinheiro, uns bons a perder, outros bons a pedir.

Agora que viemos embora do Brasil e a Troika foi embora de Portugal, temos que ficar mais 4 anos à espera, uns de voltar ao Mundial e outros de ver o País recuperar, alguns jogadores já não vão participar e alguns políticos as chuteiras vão dependurar, todos contrariados, mas é a vida, não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe.

Nota: texto escrito em futebolês, com pontuação de zona mista, gramática de ex-futebolista a fazer um gancho de comentador e profundidade arfante de declaração na “flash interview”.