Em Assembleia Municipal: Fecho da escola básica de Parada é “profundamente irresponsável”

Foi um dos temas que dominou a Assembleia Municipal da passada sexta-feira, dia 27 de junho. O presidente da junta de Parada de Todeia acusou o Governo e a DREN de “irresponsabilidade” e a associação de pais garante que nem sequer foi consultada.

Celso Ferreira, que se mostrou contra o encerramento ainda este ano, disse estar disponível para reforçar esta posição numa reunião com o Ministério. 

A lista divulgada na passada segunda-feira, dia 30 de junho, pelo Ministério da Educação e Ciência, das 311 escolas do 1.º ciclo que vão encerrar já no próximo ano letivo, foi um dos temas que extremou posições na sessão ordinária da Assembleia Municipal de Paredes, na última sexta-feira.

Entre os 311 estabelecimentos de ensino que vão encerrar está a escola e.b1 da Laje, em Parada de Todeia, uma das 41 escolas a fechar no distrito do Porto, o terceiro mais afetado.

O tema foi trazido para discussão pelo próprio presidente da Junta de Freguesia de Parada de Todeia que se mostrou claramente revoltado. Agostinho Pinto classificou esta decisão de “profundamente irresponsável” e acusou o Governo e a Direção Regional de Educação Norte (DREN) de “autistas”, por não escutarem a população e os encarregados de educação.

“Esta medida só merece o nosso repúdio pela imprudência e desonra dos compromissos assumidos e sobretudo porque não vai melhorar o sucesso escolar das crianças. É um ato profundamente irresponsável porque em Parada de Todeia todos têm transporte escolar assegurado durante todo o ano”, acusou Agostinho Pinto, lembrando que diversos municípios já apresentaram ações judiciais para impedir o encerramento das escolas.

Segundo a lista divulgada pelo Ministério da Educação a escola primária de Parada de Todeia já não deve abrir portas no próximo ano letivo
Segundo a lista divulgada pelo Ministério da Educação a escola primária de Parada de Todeia já não deve abrir portas no próximo ano letivo

Escola cumpre os “rácios” do Ministério da Educação

A escola primária de Parada de Todeia “cumpre os rácios” do Ministério, tem “excelentes condições” e recentemente foi alvo de “grandes investimentos” da câmara municipal, junta de freguesia e população. “Temos 80 alunos, 4 turmas, 4 salas de aulas, um refeitório com capacidade para servir almoços a 100 crianças”, referiu o presidente da junta de Parada de Todeia, deixando o apelo ao Ministério da Educação de só encerrar escolas com o número insuficiente de alunos, mantendo o compromisso já assumido com as autarquias e comunidades escolares.

A associação de Pais da e.b1 da Laje garante não ter tido a possibilidade de tomar parte desta decisão. “Para mim foi uma surpresa. A associação de pais não foi consultada nesta questão. Os verdadeiros interessados são os pais e os filhos e a verdade é que tivemos conhecimento pelos jornais”, lamentou o membro da Assembleia Municipal e presidente da associação de pais da E.B1 da Laje, Paulo Silva.

“Em setembro os pais vão continuar sem saber para onde vão as crianças. Quero lamentar que uma decisão como esta tenha sido tornada pública sem os pais terem sido ouvidos”, sublinhou, lembrando um comunicado emitido pela junta de freguesia de Parada, em 2013, onde era assumido o compromisso de continuar com a escola primária enquanto “houvessem crianças e vontade de ali continuar”.

Em resposta Celso Ferreira mostrou estar ao lado do executivo da junta de Parada de Todeia e da associação de pais da e.b1 da Laje. “Sou contra o encerramento da escola ainda este ano. Se a comunidade se disponibilizou para fazer a transição no próximo ano não vejo problema em fazê-lo”, disse o autarca, que se mostrou disponível para solicitar uma reunião com o Ministério da Educação no sentido de reforçar esta posição. “Escrevi à tutela a expressar esta minha ideia e estou disponível para, juntamente com o presidente da junta e os elementos da CDU, pedir uma reunião com a tutela para reforçar esta posição”.

Ainda durante o período da ordem do dia o presidente da junta da Sobreira voltou a reivindicar a reavaliação dos critérios de atribuição de competências e verbas às juntas de freguesia no âmbito da gestão dos novos centros escolares. Celso Ferreira sublinhou ainda que está também para breve o encerramento das ETAR’S de Paredes, Baltar e Bitarães.

Já no período da ordem do dia foi aprovado por unanimidade o novo regimento da Assembleia Municipal de Paredes. Foi ainda aprovado por unanimidade um novo regime de crédito do município no âmbito da Associação de Municípios do Vale do Sousa, que prevê que cada autarquia assuma apenas a sua quota-parte da dívida vencida da AMVS.

Saiba quais as escolas da região do Vale de Sousa que vão encerrar já no próximo ano letivo: As oito escolas que encerram na região