Em reunião de câmara: Celso Ferreira e vereadores do PS trocam acusações

O encerramento da escola básica de Parada de Todeia, as implicações do novo mapa judiciário para o Tribunal de Paredes e os contratos para a construção de três novos sintéticos no concelho foram alguns dos temas que levaram à troca de acusações na reunião pública do executivo.

Ainda antes do período da ordem do dia a intervenção da vereadora do PS desagradou Celso Ferreira. Beatriz Meireles falava sobre o novo mapa judiciário. “O Tribunal de Paredes perdeu algumas seções que vão afetar diretamente as empresas do concelho, mas ganhou outras”, referindo-se ao núcleo do Departamento de Investigação e Ação Penal que vai ser instalado em Paredes.

A vereadora do PS fez referência a algumas notícias que avançavam que o DIAP iria ser instalado em Penafiel e não em Paredes. Celso Ferreira não gostou do discurso. “Lamento que tenhamos uma oposição que não quer rigor. A vereadora já sabia que o DIAP já está em funções e construiu argumentos baseados numa notícia errada, o que é grave”, acusou.

Logo de seguida Alexandre Almeida trazia novamente para discussão o fecho da escola de Parada de Todeia, lembrando que a decisão não agradou a população. Em resposta Celso Ferreira lembrou que o PS aprovou a Carta Educativa do concelho. “Manifesto a minha perplexidade com a posição do PS, que votou a favor da Carta Educativa e nessa carta está explicito que essas escolas iam encerrar”, acusou o presidente da câmara de Paredes. “Não devo mais explicação ao PS”.

 

PS queria os sintéticos construídos com fundos comunitários

Alexandre Almeida questionou ainda o executivo do atraso na construção dos alpendres nos centros escolares. “Lamento que o ano letivo tenha começado sem cobertos nas escolas”, frisou o vereador do PS. “Aquilo que o preocupa a si não é mais do que o que nos preocupa a nós. Se não fosse o mau tempo os alpendres já estariam concluídos”, esclareceu Manuel Fernando Rocha.

A discussão subiu de tom aquando da votação do ponto 29 da ordem de trabalhos, sobre os contratos veiculados entre a câmara municipal o Rebordosa Atlético Clube, o Aliados de Lordelo e o Aliança de Gandra para a construção de três campos sintéticos. O vereador do PS acusou o executivo de não ter aproveitado as verbas disponíveis de fundos comunitários. “Não conseguimos compreender por que razão não foram aproveitadas verbas do QREN. Que garantia dá a câmara aos clubes para estes se puderem endividar na banca?”questionou.

“Se os dirigentes concordam e estão agradecidos porque é que os vereadores do PS não gostam? Por que não suportam que o PSD e a câmara tenham resolvido um problema que vocês não conseguiriam resolver”, acusou Celso Ferreira, após garantir que a autarquia reuniu várias vezes com a Secretaria de Estado do Desporto e Juventude e com a Comissão de Coordenação da Região Norte (CCRN) e sabia que as verbas do QREN destinadas à construção de sintéticos dariam, “na melhor das hipóteses, para apenas um sintético”.

“Preferimos anunciar a candidatura de uma pista Tartan e apoiar os clubes com verbas da câmara”, acrescentou. “O PS não gosta que a câmara tenha conseguido juntar à mesa os presidentes dos três clubes”, acusou.

Celso Ferreira deu por terminada a reunião, contudo o vereador do PS, José Sá, que não tinha gostado que o edil o mandasse calar durante a discussão de um dos pontos da ordem de trabalhos, aproximou-se do presidente para lhe deixar um aviso. “Não lhe faltei ao respeito e não admito que me fale daquela forma. Já me ameaçou uma vez neste corredor, mas não admito que volte a faltar-me ao respeito”, abandonando de seguida o salão nobre.