Em termos profissionais sinto-me realizada

É por entre tintas, recortes de papel e tecidos que Elisa Veiga cria as peças com que sustenta a sua vida e os seus sonhos. É jovem e tem nas mãos um talento único que descobriu bem nova. A vida deu-lhe condições para concretizar os seus sonhos e Elisa não hesitou. Em 2008 abriu uma loja de arte e peças de artesanato em Lordelo e apesar da falta do poder de compra das pessoas acredita que o negócio irá viver melhores dias.

Elisa nem sempre perseguiu o seu grande sonho. Chegada a altura de escolher um curso optou pelo ramo do mobiliário porque algo lhe dizia que era a escolha certa para conseguir ter trabalho. Hoje a jovem de 26 anos assume que tudo correu ao contrário, mas não lamenta que assim tenha sido já que o desemprego a levou a retomar a paixão da sua vida.

“Optei por um curso ligado à área do mobiliário, que não tinha nada a ver comigo, achava que tinha mais saída profissional. Enganei-me e isso não aconteceu. Como não arranjava trabalho em lado nenhum comecei a trabalhar em casa, a pintar quadros e fazer peças de artesanato”, explica a jovem empresária.

Desde pequena que o desenho e a pintura eram para Elisa Veiga a melhor distração. O talento logo cedo chamou a atenção dos mais próximos, e realçou dentro desta jovem uma grande paixão. “Sempre gostei de desenhar e pintar. Desde pequena que adorava artes manuais e fui sempre chamando a atenção pela perfeição com que fazia as coisas e pela forma diferente com fazia. Percebi logo que havia um bichinho dentro de mim pela arte” desabafa, acrescentando, “não me arrependo porque em termos profissionais sinto-me realizada. Faço realmente aquilo de que gosto”, garante.

“Faço realmente aquilo de que gosto”

Inicialmente vendia as peças que ia criando á família, aos amigos e vizinhos e chegou a vender pela internet. Elisa Veiga trabalhou 1 ano e meio numa loja do ramo do artesanato, onde garante que aprendeu as muitas técnicas que hoje são a marca do seu trabalho. “Trabalhei 1 ano e meio numa loja onde aprendi muito do que estou a fazer agora”, acrescenta.

E foi em 2008 que a jovem, depois de ter casado e com o dinheiro das prendas do seu casamento, resolveu que tinha chegado a altura de investir e ter o seu próprio espaço. Admite que a loja aumenta a potencialidade do negócio porque consegue captar mais clientes e pode mostrar o seu trabalho. “Com o dinheiro das prendas do meu casamento resolvi que tinha condições para alargar o meu espaço de trabalho e comprei esta loja. Não me arrependo porque aqui na loja consigo captar mais clientes e tenho a oportunidade de mostrar mais o meu trabalho”, garante a jovem empresária.

O comércio já viveu dias melhores e para Elisa Veiga a maior dificuldade é a acentuada quebra no poder de compra. “Noto que o negócio baixou e os clientes que compram escolhem sempre pelo preço. A maior dificuldade é a falta do poder de compra. Noto que há muitas pessoas com dificuldades e isso tem afetado muito o negócio”. Mas a variedade de produtos, a busca pela qualidade e os preços baixos são parte da estratégia desta jovem empresária para ultrapassar as dificuldades. “Tento atrair os clientes pela qualidade dos trabalhos que faço e pelo preço, procuro fazer o mais baixo possível para conseguir vender a mais clientes”.

 

“A maior dificuldade é a falta de poder de compra”

Começou por vender pinturas em tecido, porque os clientes eram principalmente modistas e pequenas costureiras. Passou para os quadros a óleo e resolveu ter ainda na sua loja produtos mais baratos para aumentar a variedade de produtos e de preços. Hoje, para além das telas a óleo e as pinturas em tecido, Elisa cria peças de louça decorativa, caixas de madeira e de chá, molduras e todo o tipo de decoração para quartos de crianças, além de bijuteria e pequenas peças de decoração.

“Tenho coisas a 0,50€, mas também tenho outras peças que podem chegar aos mil euros, mas já são trabalhos em telas grandes e com bastantes pormenores. O lema é procurar sempre a qualidade ao preço mais baixo, para o cliente ficar satisfeito”, acrescenta a empresária.

 

“Tento atrair os clientes pela qualidade dos trabalhos”

Vende para todo o tipo de cliente, desde feirantes a pequenos revendedores. Tem também os seus produtos noutras lojas e recebe algumas encomendas para trabalhos diferentes. Garante que hoje é difícil haver negócios rentáveis, mas garante que uns meses vão dando para outros e acredita que o país em breve começará a dar sinais de melhoras.

“O negócio vai ter de melhorar. Não posso dizer que tenha sentido melhorias até agora, mas vou aguentando. Há meses mais complicados e outros em que vendo mais” explica a jovem, acrescentando, “encaro o futuro de forma positivo e acredito que as coisas vão melhorar. Vou-me aguentando sempre com esse pensamento que dias melhores virão”.