“Foi um dos maiores eventos realizados pelo clube”

Parque da cidade de Paredes, palco da 5.ª jornada do campeonato nacional de Trial 4×4

Depois de um período de indefinição quanto à última jornada do campeonato nacional de Trial 4×4, em Paredes, a organização decidiu manter o evento na cidade, ainda que num espaço mais reduzido e com um recinto de espetáculo menor. Com um recorde de 44 equipas inscritas e 5 mil pessoas a assistir nos dois dias do evento, a 5.ª jornada do campeonato de trial trouxe algumas novidades para o público, incluindo segurança reforçada. Em entrevista, Antero Bessa, presidente do clube TT Paredes Rota dos Móveis, garante que esta foi uma das melhores edições.

Qual é o balanço da 5.ª e última jornada do campeonato nacional de Trial 4×4? O balanço é muito positivo. Foi um dos maiores eventos do clube TT Paredes. Em termos logísticos esta foi uma das provas que mais segurança teve para os espetadores. Estamos a falar de 560 grades e barreiras de proteção para o público. Os apoios têm sido cada vez maiores, não só de empresas locais e a câmara municipal, com muito esforço da nossa parte, tem vindo a acompanhar também o evento. Não da forma que queríamos, mas ainda assim tem dado sempre apoio logístico. Infelizmente o clube não tem nenhum subsídio da autarquia, tem apenas o apoio neste evento das juntas de freguesia de Paredes e Baltar que apoiam nas duas vertentes, com muito esforço obviamente. Este evento atinge grandes proporções porque está incluída uma prova do campeonato nacional de Trail 4×4. Os elementos do clube TT Paredes e a maior parte dos sócios mais ativos são responsáveis pela organização e promoção do campeonato nacional. A nossa prova é sempre a última e queremos sempre mostrar como fazer bem uma prova de trial com as melhores condições de segurança.

A organização chegou a pensar retirar a prova de Paredes por falta de espaço no local. Porque mudaram de ideias? As provas do campeonato são decididas de um ano para o outro e são sempre feitas vistorias ao terreno para avaliar as condições. Em Paredes tínhamos idealizado a prova naquele local, pelo terceiro ano consecutivo, até que fomos confrontados com essa situação. A colocação de tendas naquele junto ao parque da cidade ia roubar muito espaço à logística do evento. Tínhamos vindo sempre a melhorar as provas de ano para ano e no ano passado colocamos pela primeira vez bancadas para os espetadores, para retirar o público das pistas e mantê-lo em segurança. Mas depois do que conseguimos fazer nas últimas edições vimos que a continuação do nosso trabalho ia ficar afetado e, por isso, ponderamos logo retirar a prova daquele sítio. Esta é das provas mais caras. Temos um terreno com quase todas as condições para o padock e as boxes, mas falta-nos aquilo que os outros clubes têm: subidas, rampas, pedregulhos e outras coisas, ou seja, terreno com muitas dificuldades para a prática de Trial 4×4. Naquele local o piso é liso e implica construir os obstáculos e para essa construção vai a maior parte do dinheiro do orçamento da prova. No ano passado já tivemos prejuízo, ainda que pouco, e este ano vimos que a situação ia-se complicar se fizéssemos ali. Tivemos reuniões com o presidente da câmara onde nos foi pedido que fizéssemos um esforço e montar ali o espetáculo, esforço esse que fizemos, mas no final das contas o clube irá ter certamente mais despesa. A câmara tem conhecimento do nosso orçamento para esta prova e sabe que se o clube não se mantiver fiel a esse orçamento entra em rutura financeira.

 

“Paredes é a prova que tem mais condições para o público”

Mas não havia espaço alternativo? No concelho existiam dois espaços com condições para realizar a prova. Mas como em janeiro, na apresentação do campeonato, já tinha sido comunicado aos pilotos que a última prova do campeonato seria ali e teria uma etapa noturna, não quisemos ficar numa situação de dito por não dito e resolvemos manter o local.

E este ano voltou a dar prejuízo? Ainda estamos a fechar as contas, mas pelo que já apuramos é quase certo que vamos ter mais um prejuízo. As receitas da participação das equipas, os patrocínios e a receita dos donativos de entrada para o recinto não vão chegar para as despesas a que inicialmente nos propusemos. E o que poderá levar a uma derrapagem são as despesas imprevistas, com jantares da organização, por exemplo. Desde o início da semana da prova que tivemos cerca de 20 pessoas a trabalhar até à 1 ou duas horas da manhã para preparar tudo. Quando apurarmos as contas todas vamos ter a certeza de que o clube vai ter prejuízo, porque o orçamento para esta prova era de 26 mil euros.

Este ano apostaram na realização do prólogo noturno… Essa foi uma das grandes novidades e as equipas gostaram, mas no fundo isso teve a ver com a falta de tempo e da dimensão reduzida do terreno. Quando olhamos para as outras provas do campeonato vemos que acontecem em locais com espaço suficiente para pôr as classes todas do campeonato a circular. O que quer dizer que se tínhamos 5 classes precisávamos de criar 5 circuitos para os pilotos passarem. Aqui em Paredes o espaço era muito pequeno e, por isso, tivemos de criar a classe promoção, que competiu de manhã, para de tarde termos o campeonato e a taça Rock Crawle. Havia ainda falta de tempo para os treinos cronometrados e isso obrigou-nos a recorrer ao segundo dia. Como não temos nenhuma equipa de Paredes e praticamente quase todas vêm de longe, de Lisboa e de Trás-os-Montes, por exemplo, resolvemos fazer o prólogo noturno para facilitar a viagem até Paredes. Que momentos destaca nesta edição? O momento mais alto deste ano foi o arranque da taça Rock Crawler. O spiker motivou as pessoas, e os carros a roncar, alguns de 600 cavalos a gasolina, criou uma enorme expectativa no público. Já decorria uma prova do campeonato há mais ou menos uma hora e quando começou a prova da taça Rock Crawler quase todas as pessoas que estavam a ver o arranque do campeonato foram para a meta ver o arranque da taça. Esse foi, sem dúvida, o ponto mais alto desta etapa em Paredes.

Houve alguma surpresa na classificação dos pilotos? Estas provas do campeonato nacional de trial são provas de resistência mecânica e física dos pilotos. O piloto que ia à frente na classificação das classes não tinha o título de campeão garantido. Em Paredes é que se decide o título de campeão nacional e como esta é a derradeira prova as pessoas deslocam-se mais facilmente aqui. O clube gasta muito dinheiro em publicidade e criou uma grande divulgação do evento, mas o certo é que quase metade das pessoas que vieram aqui à prova, em Paredes, eram pessoas de fora, de outros concelhos.

 

“O Trial 4×4 tem vindo a ganhar cada vez mais importância”

Quantas pessoas estiveram no recinto? Tivemos cerca de 5 mil pessoas nos dois dias do evento. Ficamos satisfeitos com este número. Temos fotos áreas que mostram como o recinto estava cheio de gente.

Quantas equipas participaram este ano? Tivemos 44 equipas este ano, mais 10 do que no ano passado, um grande desafio em termos de organização. Colocar 4 classes a rolar no parque da cidade de Paredes era muito difícil. Se tivéssemos no meio do monte com uma pista maior e que permitisse ter as 44 equipas a rolar ao mesmo tempo seria muito mais fácil e não daria tanta despesa certamente, mas também não teríamos as condições que o espaço no parque da cidade nos oferece. Estes miminhos como o estacionamento e uma área de lazer para as crianças brincarem. Para além disso a acessibilidade que é muito importante neste tipo de evento, principalmente para o público conseguir chegar ao local. Paredes é a prova que tem mais condições para o público e melhores acessos.

Foi a prova com maior participação de sempre? Sim e de muitos regressos de equipas que já competiram em Paredes. Tivemos também algumas novas, mas no fundo nenhuma quis faltar à etapa em Paredes porque sabem que é muito bem organizada e que a visibilidade e o retorno que pode trazer aos pilotos é muito maior.

O passeio todo o terreno turístico foi uma das grandes atrações do evento… Sem dúvida que sim. É um passeio em que pode participar qualquer pessoa, numa viatura normal, e o objetivo é conhecer as paisagens e os locais mais importantes. Tentamos percorrer sempre todo o concelho e mostrar às pessoas que vêm de fora que para além da prática de todo-o-terreno podem encontrar aqui paisagens espetaculares. Tivemos 67 jipes a participar no passeio e 11 motos de quatro rodas, a rondar as 22 pessoas no total. Este ano foi talvez o melhor em termos de inscrições no passeio turístico e condições de alimentação. Tentamos sempre que os preços da inscrição sejam baixos e normalmente o valor que as pessoas pagam não dá para pagar o que gastamos na alimentação. Tivemos o apoio de muitos restaurantes, padarias e até talhos, que ofereceram alimentos para ajudar o clube a realizar o passeio com um valor de inscrição baixo. As juntas de Paredes e Baltar apoiaram com o pequeno-almoço e o lanche durante o passeio e apesar de no sul do concelho não termos conseguido reunir esse apoio, conseguimos ainda assim criar no alto da serra todas as condições para almoçar e as pessoas adoraram.

 

“Tivemos cerca de 5 mil pessoas nos dois dias do evento”

O mau tempo limitou alguma das provas? Só houve uma situação que teve de ser alterada devido à chuva, que foi o desfile da escola de samba de Lordelo. Tivemos de tomar uma decisão, no dia anterior ao desfile. Não podíamos correr o risco de estar a chover no dia e o desfile não acontecer porque íamos ter de pagar na mesma, por isso, preferimos não arriscar. Os espetadores gostam de pó e para isso o ideal é chover antes do evento e no dia estar sol. Tivemos alguma chuva no sábado e no domingo, mas não muita, o que ajudou. A lama é fundamental para a prática de todo-o-terreno porque dificulta a condução e as equipas gostam disso. E nem mesmo a chuva afastou as pessoas e até tornou o ambiente mais apetecível para os pilotos em competição.

O trial tem vindo a ganhar maior visibilidade no concelho? Acho que tem vindo a ganhar cada vez mais importância. Isso vê-se no número de empresas que contribuíram connosco, que aumentou este ano. E entendemos que se aumentaram o número de empresas a dar apoios é porque o clube tem feito um bom trabalho. E termos esse apoio quer dizer que este evento tem vindo a ganhar mais destaque no concelho de Paredes. Tivemos em termos de cobertura jornalística 5 canais de televisão, dois sites de vídeo, 3 revistas nacionais, um jornal nacional, três rádios, para além da imprensa local a fazer a cobertura e noticiar o evento. Temos uma empresa internacional que faz uma avaliação quantitativa, atribui um valor à projeção do campeonato. No ano passado a projeção geral do campeonato foi avaliada em 1 milhão e 250 mil euros e este ano subiu para os 2 milhões de euros. O que quer dizer que para equivaler as notícias que são feitas do evento com publicidade, seriam precisos quase dois milhões de euros.

 

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