Um gás tóxico de origem desconhecida provocou, na passada segunda-feira, dia 7 de julho, complicações respiratórias em seis pessoas. A situação de intoxicação terá começado em Gondomar, quando quatro funcionários de uma sucata desmantelavam uma cisterna, que viria a ser abandonada em plena serra do Castiçal, em Aguiar de Sousa.

Uma patrulha a cavalo da GNR encontrou, ao início da manhã de segunda-feira, dia 7 de julho, um homem com sinais de intoxicação, em Aguiar de Sousa. O homem de 32 anos ia abandonar uma cisterna com material tóxico num monte quando chamou a atenção dos militares da GNR que patrulhavam aquele local.

Pouco depois das 11 horas da manhã quatro funcionários de uma empresa de sucatas em Gondomar estavam a desmantelar uma cisterna e inalaram um produto tóxico, tendo perdido os sentidos. De imediato os bombeiros voluntários de Gondomar, da Areosa e de Rio Tinto e o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) acorreram ao local e os quatro homens foram encaminhados para o hospital “por precaução”.

Antes da chegada dos bombeiros outros dois funcionários da empresa de sucatas retiraram daquele local o depósito com material tóxico e transportaram-no para um monte em Aguiar de Sousa. Um deles, o próprio dono da empresa, decidiu, por mote próprio e para tentar minimizar os riscos, transportar o depósito para a freguesia vizinha onde pretendia deixá-lo. Contudo, o dono da empresa e o funcionário também se sentiram mal após terem inalado o gás tóxico de origem desconhecida.

Um deles ainda conseguiu chegar ao hospital no seu próprio carro, mas o outro, o dono da empresa, foi surpreendido por uma patrulha da GNR que rondava aquele local.

Segundo o chefe do Núcleo de Crimes e Contraordenações Ambientais da GNR, um lenhador terá dado conta de que os dois homens se preparavam para abandonar o depósito no monte e alertou os militares. “Um lenhador alertou a patrulha a cavalo dos Serviços de Vigilância Florestal da GNR e os guardas verificaram que estavam a manusear um depósito que libertava algo tóxico”, informou o sargento Ferreira.

A GNR de Paredes e o SEPNA asseguravam que ninguém se aproximava no local

A GNR de Paredes e o SEPNA asseguravam que ninguém se aproximava no local

Ao local da descarga, cerca de 300 metros da Estrada Nacional 209, acorreram de imediato os meios de emergência, o Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR e os bombeiros voluntários de Cete. Devidamente protegidos prestaram assistência ao homem, que acabou por ser transportado numa ambulância para o hospital.

 

GNR isolou o local para avaliar origem do gás tóxico

Em plena serra foi estabelecido um perímetro de segurança de algumas centenas de metros. A Proteção Civil de Paredes e Gondomar e o SEPNA chamaram ainda duas equipas de GIPS da GNR de Viseu e da Guarda para determinar qual o material tóxico que se encontrava na cisterna e decidir a melhor forma de remover o depósito daquele local.

A GNR participou o incidente ao tribunal que pode agora determinar a abertura de um processo-crime à empresa. O Ministério Público de Gondomar poderá iniciar assim uma investigação sustentada no crime de poluição, que é punível com uma pena de prisão até três anos ou multa de 600 dias. Se for caso de negligência a pena de prisão pode ir até um ano ou multa até 240 dias.