Como estamos na época de defeso do futebol, altura em que se realizam as principais contratações de jogadores e treinadores para próxima época desportiva, é a altura ideal para abordar a diferença entre estes dois conceitos económicos: Gastar e Investir, que se aplicam a todos as áreas da sociedade, mas que em Portugal o futebol ajuda a compreender muito bem.

Ora investir, e investir muito, pode ser muito positivo para uma organização ou empresa, desde que esse investimento seja reprodutivo, isto é, desde que esse investimento origine acréscimo de ganhos, origine mais-valias no futuro. O grave é quando uma organização ou empresa em vez de fazer investimentos com capacidade de gerar acréscimos de rendimentos no futuro faz gastos elevadíssimos que não geram esses ganhos no futuro.

Comecei por dizer no início que ia usar o exemplo do futebol português para retratar bem a diferença entre estes dois conceitos e para mostrar que investir e investir muito pode ser positivo.

Veja-se o exemplo dos dois principais clubes portugueses: Benfica e Porto. Estes clubes têm tido a mestria de fazer investimentos em jogadores, cada vez até mais avultados, mas que depois revendem por valores muito superiores. Ou seja, os investimentos elevados que têm feito, não têm sido gastos, porque para além de fazerem a equipa ter um rendimento superior em termos desportivos, permitem a posteriori que esses jogadores sejam revendidos por valores muito superiores aos pagos inicialmente aquando da sua contratação.

Não admira pois que o outro grande clube português: o Sporting, tenha agora feito o grande investimento que fez na contratação do seu treinador. Se este treinador ajudar o clube na escolha de jogadores a comprar, ajudar a ganhar títulos, isto é, ajudar a ter rendimentos desportivos superiores, que posteriormente vão permitir revender esses jogadores por valores muito maiores, estamos perante outro exemplo de um bom investimento, apesar dos elevados valores envolvidos.

Continuando a dar o exemplo dos três grandes clubes de futebol portugueses para mostrar a grande diferença entre investir e gastar, parece que o Porto está agora a querer inovar a nível nacional nesta estratégia de bons investimentos que os clubes têm realizado. Digo isto, porque a recente contratação do consagrado guarda-redes: Iker Casillas, vai um pouco para além daquela que tem sido a estratégia de contratação do clube. Toda a gente reconhece que o Porto não contratou o Ikea Casillas com o interesse de o revender com uma grande mais-valia, como faz com outros jovens futebolistas que tem contratado. Aqui a estratégia de investimento é outra, inovadora em Portugal, mas que poderá levar a que o Porto consiga atrair novos bons jogadores para o clube e potenciar ainda mais a revenda desses outros jogadores, uma vez que o Porto tem conseguido captar a atenção de adeptos de todo o mundo, como nunca tinha feito, numa que poderá ser uma estratégia de sucesso de marketing sem precedentes, para além do rendimento desportivo que é esperado do jogador, e que tem que estar sempre em primeiro lugar.

A ver vamos no final da época, se todos os investimentos realizados originaram o retorno idealizado ou se alguns tornaram-se gastos.