De um pequeno grupo de amigos nasceu uma sólida associação. Em 1977 um grupo de amigos de café fundava um clube de futebol, o Guimbra, que cresceu e conquistou paixões daqueles que vibravam com o campeonato de futebol amador.

Poucos anos depois nasceu a Associação ACJ Guimbra, que conta já com longos anos de história e muito trabalho realizado em prol da freguesia de Gandra. Estivemos à conversa com alguns dos diretores para conhecer melhor esta associação.

 

Como nasceu a ACJ Guimbra?

Fernando Sousa: sou um dos fundadores, mas quando isto começou tinha cerca de 10 anos. Começou tudo por causa de uma brincadeira. Estávamos todos juntos em casa de um primo, que atualmente ocupa o cargo de presidente desta associação Bernardino Sousa (Dininho) e surgiu a ideia de fundar o Guimbra. Naquela altura o senhor Faustino Rocha pôs aquilo em andamento e cada um pagou cinco escudos para comprar o primeiro equipamento. Depois começamos a participar em torneios e a conquistar trofeus. O mais antigo que temos é de 1977. A equipa começou a crescer, mas com os anos as pessoas começaram a desistir e ficamos poucos. Temos que agradecer ao senhor Faustino Gaio numa fase tremida da nossa existência aguentou praticamente sozinho esta associação. Desde que entrou esta juventude para a direção a associação ganhou uma nova dinâmica.

O senhor Faustino Rocha foi o principal responsável pela criação do Guimbra e infelizmente atravessa uma fase mais difícil na vida, por isso, aproveito para lhe deixar o nosso agradecimento e apreço pelo que ele fez pelo Guimbra.

 

Qual é o balanço destes últimos três anos na direção?

Seninho Ribeiro: No início o Guimbra tinha apenas futebol amador. Estava a atravessar um período difícil e de há três anos para cá, desde que começamos a jogar no torneio em Paredes, juntarmo-nos para dinamizar outras atividades. Neste último ano criamos a escola de futebol, os Guimbrinhas, e começamos a ter aulas de zumba e  outras atividades.

 

Miguel Ferreira: Estamos agora a pensar também em ter aulas de hip-hop e se nos cederem mais salas vamos tentar ter aulas de música para cativar ainda mais os sócios. Queremos focar-nos em atividades que sirvam a população da cidade de Gandra e mesmo de fora. Já temos pessoas de Rebordosa, Campo e Valongo e queremos ter ainda mais.

 “Estamos aqui por amor à camisola.

Fazemos disto a nossa casa”
 

 Sentiram o peso da herança de uma associação com 37 anos de história?

Fernando Sousa: O Guimbra como associação é recente. Foi fundado em 1977, mas funcionou durante muitos anos como um clube de café. Só mais tarde é que passou a ser uma associação.

 Seninho Ribeiro: Não sentimos muito o peso da história da associação porque os fundadores desta casa continuam ainda hoje connosco e a apoiar-nos. Pessoas que já andam aqui há mais de 25 anos e que nos têm acompanhado neste percurso. Estamos apenas a dar continuidade ao trabalho que eles começaram e a tentar dinamizar mais atividades.

 Miguel Ferreira: Acima de tudo esta associação continua a fazer este trabalho em prol da freguesia porque todos aqui sentimos isto como nosso. O nosso objetivo é trabalhar em prol dos nossos associados, da freguesia e sempre para honrar o nome do Guimbra. É por isso que temos tentado dinamizar mais a associação para trazer os sócios para cá e para valorizar a longa história que esta associação tem.

 

Que projetos estão a dinamizar neste momento?

Seninho: Queremos acabar a nossa sede, temos dois projetos para construir um campo de futebol e footboling. Queremos ainda construir um ATL aqui na nossa sede. Temos organizado um campeonato para crianças dos 6 aos 8 anos porque não existia nenhuma onde pudessem jogar. Para além disso estamos no Magia da Rua, no Porto, vamos no dia 7 de junho a Lavra para outra competição e no dia 14 vamos participar na liga mcdonals.

 

Miguel: queremos ter projetos que sirvam a população e é importante que nos ajudem e nos deixem crescer. Se até agora conseguimos ter sucesso e atrair pessoas de outras freguesias é sinal de que esta direção está a trabalhar bem e que tem apostado em projetos que são possíveis de ser concretizados.

Agora no dia 5 de julho vamos organizar um torneio com cerca de 30 equipas e 300 crianças. Será o maior evento que já organizamos com crianças, embora no ano passado já tivéssemos organizado um torneio semelhante mas com menos numero de criancas.

Mas tudo isto só é possível porque temos contado com o apoio de todos, incluindo da junta de freguesia e da câmara municipal. Não podemos deixar de agradecer à junta pela cedência destas instalações e por nos apoiar em tudo o que pode. Também temos de agradecer à câmara municipal que nos cedeu o relvado em Paredes para os nossos torneios.

 

“A formação dos miúdos é a nossa principal aposta”

 

Como correu a época da equipa sénior?

Miguel: a nível desportivo podia ter corrido melhor. Este ano o objetivo principal não passou pela equipa sénior, até porque focamos as nossas atenções na conclusão da nossa nova sede. Organizamos o campeonato de futebol cidade de Gandra com o objetivo de trabalhar para esta sede. Parte das receitas da organização do campeonato foram gastas na sede. Esse era o nosso principal objetivo e um sonho que já andávamos a adiar há muito.

 

Mas correu como estavam à espera?

Miguel: não é fácil organizar um campeonato com nove equipas, sete do concelho e duas de fora, porque estamos a lidar com pessoas diferentes e com diferentes feitios. O mais importante era não deixar morrer o campeonato de futebol de Paredes e conseguimos.

As pessoas às vezes não percebem que organizar estas coisas não é fácil. Nós damos o nosso melhor, os árbitros dão o seu melhor e nem sempre é fácil ouvir críticas. O balanço é positivo porque chegamos ao fim com as nove equipas em competição. Não houve nenhum incidente e é isso o mais importante.

 

A formação tem sido a principal aposta desta direção?

Seninho: a formação dos miúdos é a nossa principal aposta. Isto começou por causa do Miguel que nos pediu ajuda para um projeto dele. Começamos por organizar um torneio com os miúdos daqui, que não tinham onde jogar. Acabamos por dar continuidade ao projeto e neste momento temos 32 atletas.

 

Miguel: sabíamos que a AFPorto não tinha competição para os miúdos dos 6 aos 8 anos e vimos aí uma oportunidade. Organizamos o campeonato Liga Guimbrinhas One Kids onde participam várias equipas, como o Rebordosa, o Paços de Ferreira, o Vitalis Park, do Porto, o Dragão Force, de Ermesinde, e o Valongo, que são clubes com equipas nestes escalões, mas que não têm competição.

Correu muito bem e tivemos um enorme apoio de todos os diretores. Queremos ser aliados dos outros clubes da região, que podem aproveitar estes talentos para os seus escalões. E o nosso trabalho já tem dado bons frutos porque ainda esta semana tivemos três miúdos dos Guimbrinhas a ir treinar às escolas do F. C. do Porto.

 

Como vive a associação em termos de apoios?

Miguel: estamos todos aqui por amor à camisola. Fazemos disto a nossa casa. Os jogadores pagam uma quota mensal que ajuda a suportar os gastos da equipa, e não recebem nada. Na formação os pais pagam uma pequena quota, mas que é suficiente para o projeto ser autossustentável. Não nos interessa obter lucros, apenas garantir que mantemos as coisas a funcionar sem grandes despesas.

Fazemos alguns sorteios de vez em quando onde vamos buscar mais algumas receitas, o mesmo acontece com as aulas de zumba. Todas as receitas são bem geridas e empregues acima de tudo na formação dos miúdos.

 “O objetivo é trabalhar em prol dos nossos associados e da freguesia”

 Seninho: queremos alargar estas atividades e atrair mais pessoas. Hoje já nos vêm como uma associação e não como um grupo de amigos que se junta para jogar futebol. Oferecemos estas atividades às pessoas a preços muito inferiores. precisamente para dar oportunidade a todos de participar e de conhecerem o nosso trabalho e a associação.

 

Esta direção está disponível para continuar?

Miguel: Acho difícil que não continue. Somos uma família e vamos continuar a ser. Não me parece que haja muita gente interessada em dirigir esta associação porque isso exige muito tempo e responsabilidade e hoje em dia nem todas as pessoas têm capacidade para despender o seu tempo a trabalhar em prol de uma freguesia.

 

 Seninho: O nosso objetivo é manter estas atividades e não pensar em muito mais porque não temos estrutura para isso. Talvez realizar estas atividades com maior frequência ao longo do ano, mas não queremos ter atividades que já existem na freguesia. Deixamos aqui o nosso agradecimento a todos os que ajudaram esta associação e principalmente aos fundadores que nos apoiaram sempre em todos os momentos.