União de Paredes, um clube que une gerações

[dropcap size=small]O[/dropcap] União de Paredes comemora este ano 89 anos de vida e já foram muitos os que brilharam nesta casa. É um clube onde vingam as origens e o talento e onde os mais jovens vão sonhando com os grandes palcos do futebol. Para além do sonho têm em comum a paixão e o peso das gerações que por aqui passaram. A aposta na formação tem dado frutos e novos reforços para a equipa principal. 16 dos 22 jogadores do plantel são oriundos da formação.

O projeto do União de Paredes é apostar na formação dos jovens da terra. O clube tem uma estrutura desportiva de gema paredense e é nessa base que quer continuar a trabalhar. Na época passada o plantel principal contou com 4 reforços da formação do clube e esta época mais seis subiram a séniores e integraram o plantel para a época 2013/2014.

6 dos 22 jogadores são oriundos da formação do clube, num misto de jovens e veteranos, garante Manuel Cardoso, presidente do U. Paredes. Também ele fez a formação desportiva no clube da terra, tal como Celso Teixeira, diretor desportivo e mesmo Calica, que assume agora a responsabilidade de treinar companheiros com quem jogou. De facto, toda a estrutura diretiva do clube tem raízes paredenses, mesmo o treinador adjunto que apesar de não ser natural do concelho já reside em Paredes há muitos anos, tal como o treinador do guarda-redes que fez a formação nas camadas jovens do União e é natural de Paredes.

“O U. Paredes teve sempre boa formação e saíram bons jogadores daqui porque o clube tem o princípio de formar homens para o futebol e para a vida”, reforça o diretor desportivo dos unionistas. “95% da estrutura do clube é baseada em pessoas de Paredes e formadas na terra”, acrescenta Manuel Cardoso. “Essa é a base do União e é assim que temos de funcionar. O objetivo é estar cada vez mais vocacionado para a formação e isso poderá também dar mais adesão dos adeptos e sócios aos jogos”.

O clube tem agora um projeto para integrar equipas da formação nos nacionais com o objetivo de dar mais visibilidade ao talento dos atletas. Há já alguns anos que esta estratégia tem vindo a dar frutos e hoje os meios e qualidade dos profissionais que orientam a formação permite que os jovens atletas do União de Paredes se formem ao mais alto nível e a sua qualidade seja reconhecida. “Todos os anos os clubes da região vêm buscar jogadores à formação do União porque o clube trabalha bem e tem muito bons atletas”, reforça o diretor desportivo.

Num plantel com jogadores de diferentes gerações a mensagem é clara quanto à evolução da qualidade da formação do clube. Hoje as condições são muito melhores e a exigência é maior.

Sousa, 32 anos – capitão

“A troca de experiencias entre gerações é muito importante”

Ser capitão de uma equipa que reúne um misto de jogadores com muita e pouca experiência é um desafio? Há uma compreensão de todos. Os mais novos ouvem e cumprem. É fácil porque todos percebem de futebol e querem aprender. É um desafio e motiva-me porque obriga-me a estar sempre a falar e a coordenar a equipa.

Como vê a formação do U. Paredes hoje? É muito diferente daquela que existia na altura em que passei pela formação. Gostava que na altura existissem estes jogadores mais velhos para nos aconselharem porque qualquer miúdo pode ter talento, mas precisa de ajuda para saber estar dentro de campo. Os meios e as condições hoje são melhores. Antigamente jogavam no pelado e hoje jogam no sintético. Há muitos miúdos com qualidade que se jogassem nas condições que nós jogávamos teriam dificuldades até porque eles hoje têm uma postura diferente da que nós tínhamos na altura. A troca de experiencias entre gerações é muito importante para estes jovens, é uma boa forma de se valorizarem ainda mais.

A formação é a chave d’ouro do U. Paredes? Sem dúvida. Se não houver formação os clubes acabam porque não têm meios para se sustentar. Se existe qualidade na formação, como é o caso do U. Paredes, temos é que apostar nesses jovens para a equipa sénior e evitar que eles saiam para outras equipas.

Como é jogar numa equipa com jogadores muito jovens e pouco experientes? É fácil porque eles ouvem e respeitam. Fazem o que pedimos e isso torna tudo mais fácil. Acho que a diferença de idades não se nota muito dentro de campo porque existe um equilíbrio.

 

Caetano, 30 anos – sub capitão

“Há muito mais condições e a qualidade é outra”

Como vê a formação do U. Paredes hoje? Se comparar com a formação que era dada nos tempos em que jogava nas camadas jovens não tem nada a ver. Há muito mais condições e a qualidade é outra. Melhorou bastante e hoje são aproveitados muito mais jovens do que na minha altura. Hoje os treinadores têm muito mais formação e têm mais bases do que no meu tempo. Naquela altura era mais futebol de rua. Era transportar o que se fazia com os amigos na escola para dentro de campo. Taticamente o futebol evoluiu muito e os miúdos são ensinados desde muito cedo a saber estar dentro de campo, mas também acho que são muito formatados e isso leva a que em situações diferentes não saibam reagir. Antigamente era o diretor que pagava os bolos, a maior parte dos treinadores muitas vezes não ganhava nenhum.

A aposta na formação é a chave d’ouro do U. Paredes? Será a salvação de todos os clubes. O U. Paredes tomou a iniciativa muito cedo e será esse o futuro do clube, mas ainda assim, a equipa sénior terá de competir noutros patamares para conseguir vender jogadores depois a outros clubes.

Como é jogar numa equipa com jogadores muito jovens e pouco experientes? É espetacular. Tem aqui dois ou três jogadores que treinei quando tinham 10 anos. Os miúdos têm a irreverencia própria da idade e nós mais velhos temos experiência e visão do jogo. Dentro de campo esta simbiose é muito boa porque os miúdos têm sempre algo que não estávamos à espera.

 

Quim Ferraz, 39 anos – sub capitão

“Hoje há pessoas mais qualificadas na formação” Como vê a formação do U. Paredes hoje? A formação está muito mudada. Já fiz a minha há 20 anos e tínhamos muito poucas condições, não é que agora tenhamos muito mais, mas na altura jogávamos no pelado e tínhamos muitas equipas a treinar. Só treinávamos duas vezes por semana e uma delas era ir dar umas corridas para a mata. Hoje há pessoas mais qualificadas na formação, as condições materiais são muito melhores e os pais também já se envolvem mais.

A aposta na formação é a chave d’ouro do U. Paredes? Sem dúvida que sim, não só pela conjuntura económica, mas também pela qualidade dos jovens da formação do U. Paredes. É importante dar oportunidade a estes jovens na equipa sénior para que possam sonhar com outros clubes. Hoje já ninguém mete dinheiro no futebol por gosto e há que aproveitar a formação para sustentar os clubes. Esse será o futuro de quase todos.

Como é jogar numa equipa com jogadores muito jovens e pouco experientes? Para mim é muito bom. Faz-me sentir que ainda estou novo. Eles trazem irreverência à equipa e no futebol é importante haver um misto de experiência e irreverência. Torna-se muito bom quando se consegue um equilíbrio.

 

Couto, 19 anos – 1.ª época na equipa sénior

“Aprendi bastante na formação do U. Paredes”

Como vê a formação do U. Paredes? Já estive noutros clubes e este foi o melhor sítio de aprendizagem do futebol Aprendi bastante na formação do U. Paredes, as pessoas são muito unidas e disponíveis para ajudar. Isso é fundamental.

Como tem sido a experiência na equipa principal? É um objetivo cumprido e a experiência tem sido muito boa. Depois de muitos anos a jogar futebol foi como um presente integrar o plantel principal.

A aposta na formação é a chave d’ouro do U. Paredes? O clube terá de apostar muito na formação no futuro. É uma oportunidade para o clube e para nós que temos oportunidade de jogar numa divisão de elite.

Como é a relação com os jogadores mais velhos? É boa. Tentamos seguir o exemplo, mas é bastante diferente de jogar com colegas da mesma idade. Aqui jogamos com pessoas com larga experiência no futebol, com mais profissionalismo. É muito bom para nós porque cresce a motivação, o companheirismo e a união entre o grupo.

Quais são as ambições para o futuro? Tentar jogar e trabalhar para conseguir uma oportunidade na equipa.

 

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