Nunca é tarde demais para corrigir erros

“Já que os erros cometidos noutras freguesias do concelho que também tinham alunos suficientes para manterem as suas escolas primárias não são possíveis de corrigir, que não se cometa o mesmo erro nestas, e se honre os compromissos assumidos com a população de Parada e de Vandoma”.

Uma das coisas que desde muito cedo aprendi foi que se deve evitar os erros. Mas outra coisa não menos importante que também me ensinaram em tenra idade foi que nunca é tarde demais para corrigi-los.

Este título gostaria de associa-lo a dois acontecimentos que vieram a público esta semana, um de âmbito local e outro de âmbito mais nacional.

Comecemos pelo de âmbito mais nacional. Esta semana, tal como já havia sido admitido pela sua presidente- Christine Lagarde, os técnicos do FMI admitiram que a receita de austeridade que foi aplicada a Portugal não foi a correcta. Depois de terminar o período de assistência financeira que deram a Portugal, os técnicos do FMI admitem que a austeridade foi excessiva e que não resultou como tinham previsto, uma vez que a divida publica portuguesa não para de aumentar- actualmente em 132,9% do PIB, e essa austeridade causou inúmeras falências, um número recorde de desempregados e uma perda de riqueza enorme no país. Admitem agora que afinal há outro caminho. Que só com crescimento económico é que será possível a Portugal reduzir o seu endividamento, e para tal, a nossa divida terá de ser reestruturada, ou seja, teremos de ter mais tempo para amortizar o que devemos, pois caso contrario, não conseguimos gerar riqueza para pagar essa divida, e perdemos todos. Temos de pagar a quem devemos, mas temos de ter mais tempo para o fazer.

Outro erro, mais a nível local, que ainda poderemos estar a tempo de corrigir, prende-se com o excessivo encerramento de escolas primárias no nosso concelho, que ainda vão tendo o número de alunos suficientes para se manterem abertas.

Como todos sabemos, em Paredes, o executivo camarário apostou na construção de mega centros escolares, muito para além do que seria recomendável. Em muitos casos, em vez de um mega centro escolar numa determinada freguesia poderia ter-se apostado na construção de centros escolares menores em duas freguesias. Isso tinha tido inúmeras vantagens. Por um lado, continuava a dar-se vida a essas freguesias, que ao verem encerradas as suas escolas primárias, perderam parte da sua vida, parte da sua identidade, e parte da sua economia e vida social e por outro lado, tornavam-se os centros escolares mais acolhedores e mais personalizados para os alunos e ainda poupavam-se muitos recursos em transporte de alunos.

Mas como eu dizia, há erros que ainda vamos a tempo de corrigir. Na freguesia de Parada, há uma escola primária – escola da Laje, que para além de cumprir o requisito fundamental de ter alunos suficientes para se manter em funcionamento, tem condições físicas que infelizmente os novos centros escolares não têm – uma cantina com capacidade para todos os alunos, recreios cobertos, aquecimento, um polidesportivo e água quente nos balneários.

O nosso presidente de câmara em Assembleia Municipal, fez uma promessa à população de Parada e de Vandoma, que as suas escolas primárias não encerrariam enquanto tivessem alunos em número suficiente. Acontece que sem os pais serem avisados de nada, a escola de Parada já aparece no conjunto de escolas que já não reabrirá no próximo ano letivo e, ao que parece, as de Vandoma só estão à espera que o novo centro escolar de Baltar fique pronto, para também encerrarem.

Já que os erros cometidos noutras freguesias do concelho que também tinham alunos suficientes para manterem as suas escolas primárias não são possíveis de corrigir, que não se cometa o mesmo erro nestas, e se honre os compromissos assumidos com a população de Parada e de Vandoma.