Portugal…

“Em Portugal, desde sempre se pode constatar um sentido patriótico e um orgulho nacional bastante forte”

Os valores presentes nas sociedades e nos cidadãos que constituem essas mesmas sociedades, mas ao longo das eras, mudaram de acordo com alterações de diferentes naturezas. Valores como o bom senso, a educação, o que está bem e o que está mal, o próprio valor de família, e inclusive o de patriotismo e sentido nacional mudaram bastante.

Em Portugal, desde sempre se pode constatar um sentido patriótico e um orgulho nacional bastante forte. Ser-se português era um motivo de orgulho imenso. Nos Descobrimentos, as razões desse orgulho foram incrementadas e, consequentemente, esse mesmo orgulho aumentou em todos os “peitos lusitanos”. O imenso império colonial e o luxo das riquezas daí vindas eram motivos suficientes para que o português se orgulhasse da sua nacionalidade. Mas o declínio dos impérios ibéricos, a perda de independência para a nossa vizinha Espanha e a fraca administração em Portugal fez com que o nosso país caísse em relação ao resto da Europa. Esta decadência que durou até ao séc. XX ameaça assombrar o séc. XXI português.

A entrada na União Europeia foi vista por muitos como a derradeira solução para livrar Portugal da crise e elevar de novo o nome do país aos olhos da comunidade internacional. Certo é que houve melhorias, mas não tão significativas como seria de esperar. A adopção de modelos político-económicos estrangeiros trouxe melhorias em alguns aspectos, mas em outros, foi um completo falhanço.

Actualmente, Portugal está aberto a produtos, cidadãos, culturas e ideias estrangeiras, assim como todos os outros países pertencentes à União Europeia. Esta mistura, na minha opinião, banaliza, de certa forma, a cultura e tradição portuguesas aos olhos, principalmente, dos jovens portugueses, que preferem as tecnologias, tradições e costumes estrangeiros. Desta forma, muito dificilmente as futuras gerações irão sentir o orgulho de ser português.

Com isto não pretendo dizer que a identidade nacional ou que o valor de patriotismo está completamente perdido! Existe o patriotismo e uma identidade nacional única e muito própria para todos os portugueses, mas não de uma forma tão delineada e vincada como o fora no Renascimento, na altura dos Descobrimentos. Este “novo patriotismo” expressa-se preferencialmente no desporto,  nas competições em que são representadas as cores nacionais. É aqui que os portugueses se sentem mais portugueses.

Ser português, hoje em dia, é como ser habitante de qualquer outro país desenvolvido. Claro que se sair às ruas e perguntar “O que é para si ser português?”, as pessoas não responderão que lhes é indiferente  serem de qualquer outra nacionalidade, e afirmarão que são do país que descobriu o caminho marítimo para a Índia, que descobriu o Brasil, do país de Camões, Amália Rodrigues, José Saramago, Eusébio ou Cristiano Ronaldo,  mas na realidade, não é isso que sentem. Actualmente há razões que justifiquem o orgulho de ser português da mesma forma que há razões que levem a preferir ser inglês, espanhol, italiano ou alemão. Na “aldeia global” que habitamos, principalmente na Comunidade Europeia, todos nós nos podemos orgulhar de um ou de outro feito, mas o mais importante no futuro será, sem dúvida, conseguirmos uma união e identidade, que nos permita orgulhar de ser europeu e pertencer ao bem maior que é a Europa para o séc. XXI e a que, orgulhosamente pertencemos. A União Europeia já não é só Geografia. A União Europeia é uma maneira de estar única no mundo, pela única razão de que foi criada na paz e pela paz, e isso no futuro será certamente recordado.