Sofia, Maria Fernanda e Sandra: Mulheres Empreendedoras da Cidade de Paredes

O Dia Internacional da Mulher é comemorado a 8 de março em muitos países, nos quatro cantos do mundo. É uma data que é assinalada para reconhecer as conquistas das mulheres, bem como para destacar a importância da igualdade de género e a luta permanente pelos direitos das mulheres.

Este ano o nosso jornal decidiu homenagear as mulheres que são empresárias na nossa região e fazem muita diferença na vida dos seus clientes. Três pessoas que se destacam pelo trato fácil e sorriso sempre que aparece um cliente ou amigo. Fique a conhecer melhor estas três mulheres de Paredes.

  • Tremoceira

Maria Sofia Alves Barbosa de Sousa, nasceu em 23 de agosto de 1959 e é a tremoceira da cidade de Paredes.

A tremoceira Sofia revela que o gosto vem do tempo que ia com a mãe para a feira vender castanha e tremoço. Após o falecimento da mãe, continuou com o legado e já o faz há mais de quarenta anos. Quando começou recorda que eram cerca de 20 mulheres a vender o tremoço, mas que agora são apenas duas.

O processo para levar até aos clientes o melhor tremoço, exige muito trabalho “é preciso gostar mesmo disto porque dá muito trabalho. Semeio em junho/julho, depois vão para a eira para ser malhados como o feijão. Depois coloco em sacos para durar até ao verão. Quando é para vender coloco lá para quinta feira de molho, depois estou uma manhã inteira a cozê-los, de seguida coloco num saco de rede para levar ao ribeiro e tem de ficar lá quarenta e oito horas. Tem de ser tremoço caseiro e gosta de levar uma coisa arranjada num cesto de madeira com um pano branco.”. 

Em qualquer festa que haja na terra, ou mesmo quando o União Sport Club de Paredes joga em casa, é certo que Sofia Sousa está lá a vender tremoço “gosto de vender e gosto de ver a bola, eu já fazia isso com a minha mãe”.

Vê com tristeza que “os jovens não querem nada disto”, quando questionada sobre continuar a preservar esta arte.

Os habitantes da cidade de Paredes são conhecidos como os tremoceiros e Sofia Sousa é a maior responsável por vender e preservar esta iguaria no concelho. 

Nem só de tremoço percebe Sofia Sousa, visto que no inverno é presença assídua na Festa de São Simão e de São Martinho, a vender a sua castanha. Já no verão, o tremoço continua a ser rei em Paredes.

  • Frutaria Trevo

Sandra Cristina Mendes Ferreira Pinto, nasceu a 31 de outubro de 1973 e é proprietária da Frutaria Trevo.

Fundou esta casa há uma década. Todos Ihe reconhecem a simpatia, o sorriso e o trato agradável. Os fornecedores da Frutaria Trevo são produtores locais, que abastecem diariamente este espaço. A proprietária orgulha-se dos seus clientes serem fidelizados e de que já são família.

Revela que o maior desafio que tem diariamente é “a escolha das frutas, ter o melhor produto, melhor preço e melhor qualidade. A minha função é comprar bem para poder vender bem”.

Sandra Pinto confessa que às vezes também é psicóloga e ouve as novidades e os anseios de quem a visita “fazemos bonitas amizades. As pessoas vêm cá e quando dão por elas já estão a desabafar e as minhas clientes sentem essa confiança e voltam a desabafar. E nós não temos nada para lhes dar, simplesmente os nossos ouvidos e muitas das vezes é isso que as pessoas precisam. Às vezes só precisamos de alguém que nos oiça”.

Segundo a proprietária da Frutaria Trevo, “as mulheres são muito boas a escolher fruta e os homens pedem mais o meu conselho para escolher. Há muitos homens que sabem muito bem o que querem”. Confessa que o negócio da fruta é mais para os homens e diz que não há muitas mulheres arrojadas a vender fruta “o mercado, o grossista é complicado andar lá.

Considera-se portanto uma mulher arrojada “sou muito corajosa. A única coisa que tenho medo é de não ser honesta nem correta com as outras pessoas, porque não faço aos outros aquilo que não quero para mim. Ser eu uma mulher e carregar uma carrinha de fruta, três a quatro vezes por semana. Isso é ser arrojada”.

  • Florista Nova Era no Tempo

Maria Moutinho é empresária, empreendedora de sucesso, artista criativa, profissional multifacetada e proprietária da florista “Nova era no tempo” desde 2006.
A sua já longa carreira, assenta em valores que a própria cumpre rigorosamente, atendimento de excelência, valorização pessoal e profissional, evolução constante do método de trabalho.
O percurso profissional de Maria foi, ao longo dos anos desafiador, e uma aprendizagem permanente que lhe permitiu evoluir e ser atualmente uma referência na venda de flores e decoração na cidade de Paredes.
Clientes de vários pontos do país e estrangeiro, procuram os seus trabalhos, pois a arte de trabalhar com flores tem que transmitir emoções e despertar sentimentos!
Numa entrevista ao nosso jornal, revelou o gosto pelas artes ” gosto muito de escultura, trabalhar com gesso e pintura, adoro! E quando vou aos armazéns comprar material, tem de ser especial e que transmita algo! Todos os arranjos expostos na Florista Nova Era no Tempo são personalizados!”
Há vários desafios a enfrentar no mundo dos negócios ” eu chamo desafios e não dificuldades. Todos nós temos de evoluir. Enquanto mulher tenho de ser forte, de me valorizar, ver o que quero e seguir esse objetivo, seguir a minha intuição, porque se quero algo, tenho de lutar por isso!”
Quanto á escolha das flores, a proprietária de Florista Nova Era no Tempo revela que “os nossos clientes têm uma sensibilidade e um cuidado em escolher as flores que vão oferecer!”
Maria Fernanda Moutinho confessa que o segredo do sucesso é “ser eu própria, não ir atrás de ninguém, ser eu mesma!”