Tragédia Entre-os-Rios: 25 Anos de Memória e uma Ferida que Não Fecha
Passaram 25 anos desde a noite de 4 de março de 2001, quando o desmoronamento da Ponte Hintze Ribeiro mergulhou o país num luto profundo e traumático. A queda da estrutura, fustigada por dias de cheias intensas e anos de extração de inertes, levou consigo um autocarro e três carros particulares, provocando a morte de 59 pessoas e deixando uma ferida que o tempo ainda não conseguiu cicatrizar totalmente.
As margens do Douro, em Castelo de Paiva e Penafiel, voltaram hoje a ser o palco de cerimónias carregadas de emoção, onde o silêncio apenas foi quebrado pelo som das águas e pelo badalar dos sinos em memória das vítimas. Entre coroas de flores lançadas ao rio e momentos de oração, as famílias continuam a exigir que o país não esqueça as lições de responsabilidade e manutenção de infraestruturas que a tragédia impôs.
O foco deste aniversário recaiu sobre a preservação da memória coletiva, especialmente para as gerações mais novas que não viveram o choque do acidente, mas que cresceram à sombra do monumento “Anjo de Portugal”.
Vinte e cinco anos depois, a justiça e as indemnizações são processos encerrados, mas o “luto ambíguo” permanece para os familiares das 36 vítimas cujos corpos nunca foram recuperados das águas.
Para o Presidente da Câmara Municipal de Penafiel, Pedro Cepeda, “esta é, acima de tudo, uma homenagem de respeito e de memória. Queremos lembrar as vítimas, as suas famílias e reconhecer o papel de todos os profissionais e entidades que estiveram no terreno em circunstâncias muito difíceis. Este memorial representa um gesto de dignidade e de reconhecimento coletivo, mantendo viva a memória de um acontecimento que marcou profundamente a nossa comunidade e o país.”
Já segundo o ministro das Infraestruturas e da Habitação, o Governo está a trabalhar para que não se repita uma tragédia como a ocorrida há 25 anos, com a queda da ponte de Entre-os-Rios, em Castelo de Paiva. “Hoje viemos homenagear as vítimas e as famílias, mas não queremos que isto se repita.”
