29 Abril, 2026

António Soares Pinto: “Chegou o momento de devolver o orgulho de ser de Paredes”

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por Ricardo Leal

O Jornal “O Progresso de Paredes” prossegue a rubrica “Cadeira do Poder”, uma série de sete entrevistas dedicada aos candidatos à Câmara Municipal, criada em homenagem ao mobiliário paredense, símbolo maior da identidade local. Depois da estreia com Manuel Pinho, o segundo convidado foi António Soares Pinto, candidato pelo Chega.

Em conversa com Carla Nunes e Ricardo Leal, o candidato começou por explicar o que o levou a aceitar este desafio político. “Aceitei o convite por vocação e convicção. Chegou o momento de defender os ideais do partido também na autarquia”, afirmou. Reconheceu que o tempo disponível em anos anteriores não lhe permitiu avançar, mas garante agora total dedicação.

O lema da candidatura “Paredes em Primeiro” foi um dos pontos centrais da entrevista. António Soares Pinto considera que o concelho tem sido governado por forças políticas que “se esquecem dos cidadãos logo após as eleições” e promete inverter essa lógica. “Paredes só é Paredes com os paredenses. As pessoas não podem ser chamadas apenas no dia do voto, têm de ser respeitadas todos os dias”, frisou.

Entre os temas abordados, destacou-se o ambiente e ordenamento urbano. O candidato apontou o abandono de infraestruturas, como fontes luminosas desligadas e jardins sem manutenção, que considera “um atentado para quem visita o concelho”. Defendeu ainda o aproveitamento do Rio Sousa, com a criação de trilhos de lazer, zonas verdes e espaços para prática desportiva.

Na área da proximidade com os cidadãos, apresentou a proposta de criar um gabinete permanente de atendimento ao público na Câmara Municipal, aberto durante todo o horário de expediente, de forma a garantir que qualquer cidadão possa expor os seus problemas, queixas ou sugestões. “Os paredenses sentem-se afastados do poder local e isso tem de mudar”, sublinhou.

A cultura foi outro pilar em destaque. António Soares Pinto acredita que a autarquia deve aproveitar melhor os espaços existentes, como o recinto das feiras, para promover eventos ao ar livre e dar palco aos artistas locais. “A cultura não é gastar dinheiro, é partilhar cultura. O que precisamos é de criar condições para que os artistas de Paredes sejam conhecidos e valorizados”, afirmou, acrescentando a intenção de incentivar a participação dos jovens e fomentar o intercâmbio com os mais idosos.

No desporto, defendeu a atribuição justa de apoios a todas as modalidades e clubes, recusando qualquer ligação política a estas associações. “A política não deve contaminar o desporto. O apoio deve ser equitativo e transparente, porque cada equipa e cada modalidade têm o seu valor para a comunidade”, destacou.

A educação foi apresentada como uma das áreas prioritárias. O candidato anunciou que pretende realizar um levantamento completo das escolas do concelho, classificando o estado de muitas delas como “degradado”. Defendeu ainda a garantia de refeições escolares adequadas e o acompanhamento das crianças em maior risco. “Nenhuma criança em Paredes deve ir para a escola de estômago vazio”, assegurou, afirmando que a Câmara terá de assumir essa responsabilidade.

No plano económico, destacou a importância das empresas do setor do mobiliário, que considera “a força do concelho”. Propôs a criação de um gabinete municipal para apoiar a internacionalização das marcas de Paredes e potenciar a economia local, gerando mais postos de trabalho e riqueza.

A habitação também esteve em debate. António Soares Pinto defendeu que a autarquia deve recuperar imóveis devolutos e terrenos municipais, em articulação com privados, para criar soluções de habitação social. Criticou ainda a forma como foi conduzido o realojamento da comunidade cigana, considerando-a discriminatória em relação a outras famílias carenciadas. “Todos devem ter os mesmos direitos e as mesmas obrigações. Não podemos criar desigualdades dentro do próprio concelho”, afirmou.

Na reta final da entrevista, abordou ainda dois temas que considera estruturantes: o combate à corrupção, que definiu como “uma das bandeiras centrais do Chega”, e a mobilidade dentro da cidade. Assumiu como prioridade encontrar soluções para o trânsito caótico em Paredes, incluindo alternativas rodoviárias que evitem o congestionamento nas entradas e saídas do concelho.

A entrevista encerrou com um apelo direto: “Caros paredenses, chegou o momento de devolver o orgulho de ser de Paredes. O meu gabinete estará sempre aberto e o nosso compromisso é com todos, sem exceção”.