Astro Fingido leva o espetáculo “Tudo o que Ela Calava” à Casa das Artes de Famalicão
A associação cultural Astro Fingido apresenta no Pequeno Auditório da Casa das Artes de Famalicão a sua mais recente criação, “Tudo o que Ela Calava”, nos dias 21 e 22 de março.
O espetáculo inspira-se na poesia de Bénédicte Houart, escritora luso-belga que explora temas como o quotidiano, a intimidade e o poder das palavras, questionando também estereótipos de género.
Com dramaturgia e encenação de Ângela Marques, a criação convida o público a embarcar numa viagem pelo percurso de vida de uma mulher: da menarca ao envelhecimento, da sedução ao abandono, das tarefas domésticas e profissionais ao esquecimento. Segundo a encenadora, “ao longo de 20 poemas, falados, cantados ou projetados, há crianças que brincam, meninas que se descobrem mulheres, relações que se estabelecem com a alteridade, vontades que se esgotam e sonhos que permanecem.”
O projeto é composto maioritariamente por mulheres, provenientes de diferentes contextos geográficos e artísticos. Teatro, dança, música e vídeo cruzam-se numa proposta cénica que procura tornar visível aquilo que tantas vezes permanece silenciado, explorando o universo feminino e as suas relações com o masculino e com o mundo, do nascimento ao lento desaparecer.
A dimensão intercultural da obra é reforçada pela colaboração de artistas internacionais, no âmbito do Programa Ibercena 2025-2026, através do apoio à criação em residência. Participam neste projeto a mexicana Patrícia Gutiérrez Arriaga, responsável pelo desenho de luz e espaço cénico, a colombiana Cata Corredor, residente na Argentina, que assina a conceção do vídeo, e a espanhola Raquel Crespo, responsável pelo desenho dos figurinos.
Coproduzido pela Astro Fingido e pela Casa das Artes de Famalicão, e financiado pela Direção-Geral das Artes, “Tudo o que Ela Calava” surge como um convite à reflexão, um gesto político e poético onde o silêncio se transforma em presença e o palco num espaço de escuta, conflito e resistência. Como sublinha Ângela Marques, “Havia que fazer escolhas e em Tudo o que Ela Calava escolhi fazer falar as mulheres.”
