7 Fevereiro, 2026

Daniel Pereira: a paixão pelo Hard Enduro

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O hard enduro é um desporto motorizado, considerado uma das modalidades mais exigentes do motociclismo. Combina técnicas do trial e do enduro, onde os pilotos enfrentam terrenos extremamente desafiadores e técnicos, repletos de obstáculos naturais, como pedras soltas, raízes, lama, subidas quase impossíveis e descidas perigosas. Este desporto não exige apenas técnica, mas também uma enorme resistência física e, não menos importante, mental.

Tendo em conta todas estas características, Daniel Pereira, de 31 anos, natural de Vila Meã, Amarante, decidiu aventurar-se neste universo. Em 2020, quando o mundo enfrentava a pandemia da Covid-19, e as restrições eram muitas, o futebol foi substituído pelas duas rodas. A ideia não surgiu do nada, pois contou com influência familiar: o ex-sogro e o ex-cunhado já praticavam enduro. Juntar-se a eles foi um passo natural: “Decidi comprar uma mota para me distrair e ir para o monte (…) e as primeiras voltas foram com eles”.

O bichinho ficou e acabou por tornar-se um hobby, uma vez que Daniel trabalha numa fábrica de injeção de plásticos. Atualmente, Daniel é também conhecido por “Welele”, expressão que utilizou no final de um vídeo e que, com o tempo, passou a repetir com frequência, ao ponto de as pessoas começaram a dirigir-se a si, assim. Ao longo destes cinco anos, já foram várias as provas em que participou, mas há uma que se destaca: o XL Lagares. Considerada uma prova de referência mesmo para quem não anda de mota, “é a corrida que todo o piloto sonha fazer, nem que seja uma vez na vida. ”Trata-se da prova mais desafiante e difícil em que já participou e, este ano, promete ser ainda mais especial, uma vez que a prova contará para o Campeonato do Mundo. Isso fará com que os melhores pilotos do mundo se desloquem a
Portugal e, se tudo correr bem, corram todos juntos.

No hard enduro, se há algo que faz parte da modalidade, são as quedas. Daniel admite: “Dificilmente é a prova em que não caio”. Isto torna os danos na mota quase inevitáveis, mesmo que, por vezes, sejam pequenos. Infelizmente, é também uma modalidade que exige um elevado investimento financeiro: “Só em equipamento e proteções, um piloto pode gastar cerca de 1000€, mesmo sem optar pelas marcas mais caras. A isso somam-se os custos da mota, manutenção e desgaste (…) mas não há dinheiro que pague o que sinto em cima da mota”. É nas dificuldades dos percursos que entra a mentalidade de cada piloto. Daniel valoriza a constante evolução que o hard enduro permite, assumindo as falhas, mas acreditando sempre na superação. Quando um obstáculo é finalmente ultrapassado, a sensação de satisfação é indescritível.

O piloto amarantino admite não ter qualquer superstição antes das provas, onde o mais importante é que tudo corra bem, não se magoe e consiga ir trabalhar na segunda-feira seguinte. Os objetivos para 2026 já estão bem definidos: continuar a divulgar a modalidade do hard enduro, evoluir enquanto piloto, marcar presença no campeonato de hard enduro e super enduro e, claro, participar no XL Lagares.