Documentário 50 anos, 50 minutos reuniu mais de 600 pessoas na sua apresentação
O Centro Cultural de Paredes foi o local escolhido para no dia 1 de maio receber a apresentação do “Documentário 50 anos, 50 minutos”, no âmbito das comemorações do 25 de abril.
O evento contou com música ao vivo do Artista Sonoro, Alexandre Centeio, responsável pela banda sonora do documentário.
Os testemunhos que marcaram este documentário destacam-se pela diversidade de áreas da sociedade que nele participaram. Aires Montenegro, António Alves, Artur Penedos, Constantino Rocha, Donzilia Martins, Etelca Nunes, Francisco Mota, Henrique Leite, Ilídio Meireles, Isabel Alves Pereira, João Gonçalves, Joaquim Leal, José Batista Pereira, José Calçada, José Orlando, José Sarmento, José Vieira, Manuel Joaquim, Manuel Luís, Maria Prazeres Alvarenga, Mariana Vieira, Martinho Sousa, Nelson Nunes e Rui Táboas foram os protagonistas deste documentário onde evocaram como viveram na pele o 25 de abril.
Constantino Rocha tem 80 anos e é natural de Aguiar de Sousa. O comerciante destacou que “a revolução transformou o país. Era um momento que ambicionávamos há muito. Tivemos um desenvolvimento fantástico. Desenvolveram-se os meios rurais, a agricultura, o comércio, assistimos à abertura das fronteiras…”
Ilídio Meireles tem 72 anos, reside em Paredes e é o atual Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Paredes. O advogado recorda que “tínhamos consciência de que o regime estava a dar os últimos passos, embora não possamos dizer ao certo qual é a origem verdadeira do 25 de abril, se é o movimento geral da população, ou se é o movimento militar apenas por interesses próprios (…) Acho que o nosso regime, numa perspetiva nacional, precisa de ser regenerado. Abusa-se da liberdade e não se respeita a liberdade dos outros”.
Isabel Alves Pereira tem 75 anos, é de Paredes, foi professora e relembra que “o período da revolução dos cravos foi uma fase de esperança muito grande no futuro. Foi uma luz que se acendeu. 50 anos depois a luz está a tremelicar muito. Estou muito apreensiva neste momento, porque quando a população começa a sentir que falta alguma coisa, não sabemos o que pode acontecer e como pode reagir. Noto a população muito desanimada e revoltada, o que é perigoso”.
O projeto, financiado pelo PRR – Plano de Recuperação e Resiliência no âmbito do PACD – Plano de Ação para as Comunidades Desfavorecidas, é uma produção de Blue Lemur Productions, em parceria com Ocean Pace Visuals, e conta com testemunhos de várias pessoas e entidades que viveram o 25 de abril.
