Obra e Vida do autor Angolano em destaque na Escritaria, em Penafiel

Publicado por António Orlando

O escritor angolano Pepetela, vencedor do Prémio Camões em 1997, é a personalidade homenageada na edição deste ano do festival Escritaria, que decorre até domingo em Penafiel. “Sua Excelência, de Corpo Presente”, o seu mais recente romance, vai ser apresentado numa sessão a decorrer na sexta-feira, no Museu Municipal.

“Vários atores vão interpretar em vários cantos e recantos da cidade textos de Pepetela, ao mesmo tempo que as fachadas dos prédios e outros locais vão mostrar a obra [do escritor] e torná-la até portátil, em caixas de leitura e muitos outros materiais”, prometeu a Câmara Municipal de Penafiel, no lançamento do certame.

A presença de Pepetela vai culminar na apresentação do seu novo romance, “Sua Excelência, de Corpo Presente”, a realizar na sexta-feira à noite, e na programação de fim de semana, que se intensifica em redor da sua obra, com entrevistas e sessões públicas dedicadas ao criador de “Jaime Bunda, o agente secreto”.

Para a autarquia, o objetivo é que “Penafiel continue a ser, cada vez mais, uma cidade contaminada pela literatura”.

Os escritores Ondjaki, Mário Cláudio, Luandino Vieira, os jornalistas José Carlos Vasconcelos, Maria João Avilez e Fernando Alves e o professor José Carlos Seabra Pereira estão entre os convidados anunciados.

“Será impossível a qualquer pessoa não tropeçar no autor de carne e osso ou na sua escrita”, assinala a autarquia, na apresentação da iniciativa, prometendo, para esta semana, “uma verdadeira transformação de Penafiel em torno do escritor homenageado e da sua obra”.

Nas dez edições anteriores o festival Escritaria homenageou Urbano Tavares Rodrigues, José Saramago, Agustina Bessa-Luís, Mia Couto, António Lobo Antunes, Mário de Carvalho, Lídia Jorge, Mário Cláudio, Alice Vieira e Miguel Sousa Tavares.

Escritaria é o único festival literário que homenageia, em cada edição, um escritor vivo de língua portuguesa.

Última obra sobre Angola

O escritor esteve no sábado passado em Óbidos, no Folio – Festival Literário Internacional, onde admitiu que “Sua Excelência de Corpo Presente”, o seu mais recente romance, possa ser seu último livro sobre a realidade histórica angolana.

“Este livro é capaz de ser mesmo o último [sobre a história contemporânea de Angola], porque está a ser muito difícil gerir o pós-escrita”, acreditando também que o país tenha entrado num novo ciclo, apesar de a corrupção ainda ser um problema.

A narrativa do romance aborda as conturbadas últimas décadas de um país africano, recordadas pelo seu presidente defunto, deitado num caixão forrado a cetim branco, num enorme salão cheio de flores, e que, apesar de morto, vê, ouve e pensa.