Infeções respiratórias: quando levar o seu filho ao médico?
O inverno é sinónimo de infeções respiratórias e, nas crianças, é quase universal a presença de tosse e “pingo no nariz”. A maioria destas infeções é de causa vírica e tende a resolver-se espontaneamente, sem necessidade de tratamento específico. Ainda assim, surge constantemente a dúvida: “Devo levar o meu filho ao médico?”.
Um dos pontos mais importantes prende-se com a idade da criança. De um modo geral, quanto mais pequena, menor deve ser o limiar para recorrer ao médico. Febre relativamente baixa, obstrução nasal intensa ou tosse mais persistente numa criança maior podem, em grande parte dos casos, ser geridos autonomamente pelos pais. O mesmo não se aplica a crianças mais pequenas, sobretudo com menos de 6 meses, nas quais estes sintomas podem justificar uma observação médica mais precoce. Um critério semelhante deve ser usado relativamente a crianças com doenças crónicas conhecidas (cardíacas, pulmonares ou outras) sendo que, nestes casos, o limiar para procurar assistência médica deve igualmente ser mais baixo.
A duração da febre também será um ponto a ter em conta. Em crianças maiores, sem sinais de alarme, uma febre com até 3 dias pode, frequentemente, ser gerida em casa com medidas de conforto e suporte. Se a febre persistir, poderá ser importante a avaliação médica – tal não implica necessariamente testes ou exames, mas permite, muitas vezes excluir que exista alguma infeção mais grave.
É frequente que as crianças doentes recusem parcialmente a alimentação, mas, apesar de muitas vezes esse ser o maior foco dos pais, é ainda mais importante vigiar a ingestão de líquidos. Se a criança não bebe ou bebe muito pouco, deve ser avaliada pelo médico.
Os sinais de dificuldade respiratória podem ser difíceis de reconhecer, mas geralmente referimo-nos às “covinhas” debaixo/entre as costelas ou entre as clavículas (acima do esterno), entre outros, e a sua presença justifica avaliação médica.
A otite pode surgir como complicação de uma infeção respiratória vírica. Por se tratar, com frequência, de uma infeção bacteriana, pode ser necessário tratamento antibiótico. Assim, poderá ser importante a avaliação médica quando nota que está a sair líquido pelo ouvido da
criança e/ou se surge dor nessa localização.
Apesar de a maioria das infeções respiratórias superiores se resolver sozinha (não descurando medidas de suporte e conforto), a importância principal da avaliação médica nestas situações prende-se com a exclusão de eventuais complicações, que possam requerer tratamento mais
específico.
Além das avaliações nestes e noutros casos de doença aguda, é ainda essencial reforçar o papel das consultas de Saúde Infantil e Juvenil (seguimento ou rotina). Estas consultas permitem a vigilância e a deteção e orientação precoces de condições que possam afetar a
evolução e o crescimento das crianças e adolescentes.
Vicente Rey y Formoso, Pediatra nas clínicas CUF Penafiel e CUF Lousada
