8 Março, 2026

Mário Camilo Mota: Teremos nós direito a uma “Era Dourada”?

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a opinião de Mário Camilo Mota

Olhar Além das Laranjeiras

 

Foi esta segunda-feira que chegou ao Capitólio o 47º Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), um protagonista exótico aos nossos olhos, mas completamente consensual aos olhos dos americanos que votaram para eleger uma ressurreição política histórica. O novo Presidente apresenta-se como messiânico, protegido por Deus após um atentado à sua orelha. A mesma pessoa que se prepara para libertar os seus fiéis que vandalizaram em 2021 o Capitólio (Assembleia dos EUA).

“Estamos à beira dos maiores quatro anos da história da América”, agora virá a “Era Dourada”. Sem surpresa para ninguém, estas foram as afirmações daquele que é um dos homens com maior poder executivo do planeta. O homem que afirma querer colocar uma bandeira em Marte (tal como no passado os EUA fizeram na Lua), querer acabar com as fontes de energia renovável e ganhar a corrida à exploração dos combustíveis fósseis (antagonizando com a China que entretanto já conseguiu despoluir a atmosfera de Pequim com o investimento na tecnologia e na mobilidade elétrica) e querer obter a paz fazendo a guerra (tal como fizeram com a 2ª guerra mundial e com a “guerra fria”). Uma agenda ideológica e de regresso ao passado.

Ironicamente é o mesmo homem rodeado de magnatas que promete devolver aos cidadãos o poder que o sistema lhes “arrebatou” ao mesmo tempo que acena com quedas de preços, fim da inflação, solução para crises e desastres naturais, melhores serviços públicos e riqueza sem limites.

Acho que também nós, na nossa terra, precisávamos de alguém assim… Um salvador abençoado cheio de verdade, bem rodeado dos líderes económicos centralistas com negócios por todos os lados e a distribuir prémios a toda a gente no interesse de todos menos do serviço público!

O homem garante que será “pacificador” e “unificador” ao mesmo tempo que ataca em todas as direções: adversários políticos e nações vizinhas e aliados são alvos e considerados tão criminosos como os cartéis de droga e os eternos imigrantes, culpados de todos os problemas.

Já a Europa, a NATO e a Ucrânia ficam de fora dos discursos porque são desprezáveis para o novo Presidente e não interessam para a defesa, pelo contrário, haverá pressão para terminar a guerra (com que território, logo se verá – isso não interessa!). Lei e ordem dentro de portas, mão dura lá fora, por uma paz função de interesses económicos.

São sinais de guerras culturais que lhe valeram votos. Seguem-se as ordens executivas na calha e o mais complicado trabalho de governar. Este é o homem mais poderoso do mundo, e é-o porque a democracia livre assim o ditou, por pouco amigo que dela seja. A ver vamos como será o fim desta história.